UE deverá aprovar nova missão no Líbano em outubro afirma Kallas

UE deverá aprovar nova missão no Líbano em outubro afirma Kallas

A chefe da diplomacia da União Europeia afirmou hoje que deverá ser aprovada uma nova missão do bloco no Líbano em outubro, com o intuito de garantir que o Estado e as Forças Armadas libanesas conseguem controlar o território.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Bryan Meade - EPA

Em conferência de imprensa no final de uma reunião informal dos ministros da Defesa da União Europeia (UE), no condado de Wicklow, na Irlanda, Kaja Kallas salientou que os governantes discutiram a potencial criação de uma missão para "aconselhar e treinar as Forças Armadas do Líbano", incluindo em termos de segurança marítima e fronteiriça.

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança ressalvou, contudo, que o objetivo dessa missão não é substituir a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), a missão de manutenção da paz da ONU, cujo mandato expira no final do ano.

"O nosso objetivo é reforçar as Forças Armadas libanesas e a capacidade do Estado libanês de garantir a segurança em todo o seu território", referiu.

Kaja Kallas salientou que o planeamento dessa missão "está a avançar bem" e indicou que, na reunião de hoje, 10 Estados-membros se manifestaram disponíveis para contribuir com recursos e inclusivamente militares.

"E isso é importante porque, como sabem, é fácil lançar uma missão, mas é preciso ter com que a compor, por isso fiquei satisfeita por constatar que há Estados-membros que estão verdadeiramente disponíveis para contribuir", saudou Kallas.

A chefe da diplomacia da UE indicou que o Conselho da UE deverá aprovar o lançamento desta missão em outubro -- está agendada uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco para 12 de outubro -- e adiantou que está em "contacto estreito" com o Governo libanês para perceber do que precisa.

Por sua vez, Helen McEntee, ministra dos Negócios Estrangeiros da Irlanda -- país que detém atualmente a presidência rotativa do Conselho da UE --, lamentou que o mandato da FINUL esteja prestes a expirar, observando que continua a haver "instabilidade na região e no Líbano".

"Por isso, é essencial que nós aprovemos o mais rapidamente possível uma nova missão", defendeu, acrescentando que não se pode permitir que seja criado "um vazio" à medida que as forças da ONU começarem a ser progressivamente retiradas do Líbano.

"É muito importante que cheguemos rapidamente a um acordo e que, obviamente, também cheguemos a um consenso sobre o tipo de contributo que cada Estado-membro pode dar. A Irlanda está preparada para fazer parte desse esforço", indicou.

Hoje, em declarações à agência Lusa após um encontro com o primeiro-ministro irlandês, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, indicou que Portugal é "totalmente favorável" à criação desta missão da UE no Líbano.

Paulo Rangel defendeu que é fundamental "estabilizar a situação no Líbano" e considerou que o "Governo do Líbano atual precisa muito desse apoio".

"Portanto, nós estaremos inteiramente a favor da criação dessa missão. Depois, se faremos parte dela ou não, ou em que termos é que poderemos cooperar com ela, isso é algo que se terá de ver a nível do Governo e, desde logo, com o Ministério da Defesa", indicou.

Após pressão dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança da ONU decidiu, em agosto do ano passado, fixar dezembro de 2026 como a data para o fim do mandato da FINUL, que se mantém no sul do Líbano desde 1978.

No final de junho, o Presidente libanês saudou os esforços da França e da Itália para formar uma coligação multinacional destinada a substituir a força de paz das Nações Unidas.

A FINUL conta atualmente com 7.500 militares de cerca de 50 países, que estão posicionados no sul do Líbano, ao longo da "Linha Azul", que se estende por 120 quilómetros e marca a fronteira de facto com Israel.

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