UE, Índia e a Astrazeneca. A guerra das vacinas

Está aberta uma verdadeira frente de combate da União Europeia e Índia com a farmacêutica AstraZeneca. Com o número de casos de Covid-19 a aumentar, uma vez mais, estes blocos prometem bloquear a saída de mais vacinas dos seus territórios. Líderes europeus reúnem hoje para discutir formas de acelerar o processo de vacinação. A Índia terá parado com as exportações da vacina para dar resposta à procura interna, perante um aumento substancial de pessoas infetadas nos últimos dias.

Alexandre Brito - RTP /
Reuters

A Índia é o maior produtor mundial de vacinas. A decisão que o gabinete do primeiro-ministro Narendra Modi terá tomado, de acordo com a Reuters, vai provocar ainda mais atrasos na distribuição mundial de vacinas.

A Índia estará a bloquear as exportações da AstraZeneca para dar resposta à necessidade interna. O Executivo, perante o aumento de casos de Covid-19 no país, decidiu começar a inocular as pessoas com mais de 45 anos a partir do dia 1 de abril.

Esta medida, que terá efeitos também na vacinação na Europa, é ainda um rude golpe para a COVAX, a iniciativa internacional com o apoio da OMS para fazer chegar vacinas aos países mais pobres.
Vacinação na Europa a passo lento

Na União Europeia o cenário é semelhante. Os líderes da União Europeia vão hoje ter um encontro virtual para analisarem formas de acelerar a vacinação nos vários países.

De acordo com a BBC, a Comissão Europeia vai pedir o apoio para que sejam impostos mais controlos sobre a saída de vacinas do bloco europeu.

A conversa tem lugar numa altura em que o número casos de Covid-19 continua a aumentar um pouco por toda a Europa. Portugal, nesta altura, é uma exceção ao que está a acontecer nos restantes países, em particular no norte e leste.

A campanha de vacinação na União Europeia está em marcha lenta, em particular quando comparado com países como o Reino Unido, Israel ou os Estados Unidos.

A Comissão tem culpado a AstraZeneca por esta situação por não entregar as doses com que se comprometeu.

O confronto subiu de tom depois de terem sido encontradas 29 milhões de doses numa inspeção em instalações da farmacêutica em Itália. 

A pedido da Comissão, forças de segurança inspecionaram uma fábrica em Anagni, próximo de Roma, onde encontraram as vacinas.Fábrica da AstraZeneca onde foram encontradas as vacinas (Reuters)

De imediato, vários lotes foram confiscados. Dois foram enviados para a Bélgica. Cada lote pode conter cerca de um milhão de doses.

Ao final do dia de quarta-feira, a AstraZeneca afirmou que as doses que foram encontradas estavam destinadas à União Europeia e ao consórcio COVAX.

A farmacêutica alegou que as mesmas estavam ali porque tinham ainda que ser alvo de um controlo de qualidade.


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