UE, Meta e TikTok unem-se para combater desinformação sobre Ceuta
A União Europeia (UE) e as tecnológicas Meta e TikTok acordaram criar um novo canal para detetar e reduzir rapidamente o impacto da desinformação sobre a crise migratória em Ceuta, segundo o portal especializado Politico.
De acordo com três fontes anónimas citadas pelo órgão de imprensa norte-americano, o novo mecanismo, acordado na segunda-feira, permite a partilha de informação e a cooperação com organizações de verificação de factos.
O mecanismo permitirá à Comissão Europeia, juntamente com as plataformas e os verificadores de factos, sinalizar conteúdos potencialmente falsos para revisão e, quando apropriado, remoção, num procedimento mais ágil e eficiente do que os habituais sistemas de resposta à desinformação.
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, já se tinha reunido com a Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) e o TikTok para tratar da situação em Ceuta.
Cerca de 72 mil pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas no final de julho e 70 mil já voltaram a Marrocos, indicam dados das autoridades de Espanha.
Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Segundo a organização de verificação de factos Maldita.es, a situação foi alimentada por mensagens falsas disseminadas online, alegando que os migrantes seriam acolhidos em Espanha.
Ceuta, um pequeno território de 80 mil habitantes que está localizado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
Mensagens a circular nas redes sociais em Marrocos têm incitado a uma nova invasão em massa do território no próximo dia 15 de agosto e Bruxelas alertou para a amplificação da crise através dos canais ligados à Rússia.
A Comissão Europeia já tinha solicitado às plataformas, na semana passada, que aumentassem a monitorização e reforçassem a cooperação com os verificadores de factos em resposta à crise em Ceuta.
No entanto, a porta-voz da Comissão, Arianna Podestà, alertou que grande parte dos conteúdos que circulam nas redes sociais não se verificam e que a situação em Ceuta continua incerta.
Na segunda-feira, o ex-comissário europeu Thierry Breton considerou que a situação em Ceuta não foi uma crise migratória, mas o "primeiro ataque híbrido em larga escala" contra a UE, devendo ser investigado.
Numa entrevista ao jornal italiano La Stampa, Thierry Breton defendeu que a situação que se viveu em Ceuta evidenciou uma "crise de governação na União Europeia, revelada por um fenómeno migratório".
"Tratou-se do primeiro ataque híbrido algorítmico em larga escala contra uma fronteira externa da UE", defendeu o comissário europeu para o Mercado Interno entre 2019 e 2024.