UE pode contribuir com influência económica e conhecimento sobre nuclear diz Kallas
A chefe da diplomacia da UE indicou hoje que o bloco está disponível para contribuir para a próxima fase das negociações com o Irão através da influência económica e do conhecimento sobre o dossiê nuclear.
Em conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo, Kaja Kallas considerou que o memorando de entendimento alcançado pelo Irão e os Estados Unidos "representa um potencial avanço".
"Este acordo pode proporcionar o espaço tão necessário para negociações mais aprofundadas sobre o programa nuclear iraniano e outras questões críticas", referiu.
No entanto, a chefe da diplomacia da UE avisou que "a fase mais difícil das negociações ainda está por vir" e referiu que os ministros dos 27 discutiram "de que forma é que a UE pode estar diretamente envolvida na próxima fase".
"Desde a capacidade de influência económica até ao conhecimento especializado em matéria nuclear, a UE está pronta para contribuir para uma solução sustentável", afirmou.
As declarações de Kallas foram feitas depois de, esta manhã, França, Alemanha e Itália terem sugerido levantar as sanções ao Irão caso o país se comprometa a abdicar do programa nuclear.
Portugal já indicou que se alinhará com o que for decidido pelo bloco.
No que se refere ao conhecimento sobre o dossiê nuclear, nos últimos meses Kaja Kallas tem insistido que a UE pode ajudar nas negociações, uma vez que dispõe de vários especialistas que participaram no acordo alcançado em 2015 sobre o programa nuclear iraniano.
Questionada se não teme que Israel possa pôr em causa o memorando de entendimento agora alcançado devido à ofensiva no Líbano, Kallas referiu que essa situação foi discutida pelos ministros.
"E os ministros também referiram que o Líbano devia ser abrangido pelo cessar-fogo", disse.
Nestas declarações aos jornalistas, Kallas foi ainda questionada se os ministros voltaram a discutir uma eventual expansão do mandato da operação naval da UE Aspides, atualmente no mar Vermelho, para o estreito de Ormuz, como forma de reforçar a iniciativa franco-britânica que visa garantir a liberdade de circulação na via marítima crucial para o comércio mundial
Kallas disse que, apesar de esse assunto não ter sido abordado hoje, já foi "intensamente discutido" no passado e vários Estados-membros comprometeram-se a reforçar a operação, apesar de não concordarem na expansão para Ormuz.
"O foco da operação Aspides vai continuar a ser o mar Vermelho, tal e qual como agora, enquanto a coligação franco-britânica vai passar a operar no estreito de Ormuz. Os Huthis [movimento rebelde do Iémen] afirmaram que vão aumentar os ataques [no mar Vermelho], pelo que considero que estas duas operações se complementam e funcionam em estreita articulação", disse.