Mundo
UE reúne de emergência para analisar crise migratória em Ceuta
A União Europeia reúne-se este sábado de emergência para analisar a crise migratória em Ceuta.
O Mecanismo Integrado de Resposta Política a Crises vai debater o movimento migratório dos últimos dias, que levou à entrada de mais de 50 mil imigrantes ilegais, provenientes de Marrocos, em Ceuta.
A reunião de emergência foi convocada pela Irlanda, que ocupa nesta altura a presidência rotativa do conselho.
As autoridades espanholas estimam que, em apenas 24 horas, mais de 50 mil pessoas entraram na cidade autónoma de Ceuta, provenientes de Marrocos - um número que ultrapassou em cinco vezes a última grande crise migratória registada naquele enclave em 2021.
A situação em Ceuta desencadeou uma crise diplomática na Europa, com a Itália e França a reforçarem, já este sábado, o controlo das suas fronteiras com Espanha.
Da parte de Portugal, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu ter razões para reforçar as fronteiras terrestres e marítimas com Espanha, mas rejeitou suspender o espaço Schengen.
Sánchez aponta o dedo a “máfias”
Ainda não se consegue explicar em concreto o que terá motivado este número sem precedentes de migrantes que atravessaram a nado até à costa de Ceuta.
O primeiro-ministro espanhol afirmou que poderia dever-se a uma decisão do supremo tribunal de Espanha este mês que impede a devolução imediata a Marrocos de migrantes intercetados no mar ao tentar chegar a Ceuta ou a Melilla.
Sánchez falam num “ataque, uma violação da integridade territorial de Espanha" e acusou as "máfias" de estarem por detrás do rumor de que a fronteira tinha sido aberta.
O Ministério do Interior espanhol anunciou o envio imediato de dezenas de membros da Guarda Civil e polícias, incluindo oito mergulhadores, bem como uma embarcação e drones.
Ceuta, um pequeno território de 84 mil habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, forma uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa (juntamente com o outro enclave espanhol, Melilla).
A reunião de emergência foi convocada pela Irlanda, que ocupa nesta altura a presidência rotativa do conselho.
Entre os assuntos em cima da mesa estará o apoio que está a ser dado pela UE a Espanha para gerir o fluxo migratório de Marrocos para Ceuta, bem como os esforços diplomáticos já iniciados com Rabat.
As autoridades espanholas estimam que, em apenas 24 horas, mais de 50 mil pessoas entraram na cidade autónoma de Ceuta, provenientes de Marrocos - um número que ultrapassou em cinco vezes a última grande crise migratória registada naquele enclave em 2021.
Entretanto, as Forças de Segurança espanholas calculam que cerca de 69.500 migrantes saíram nas últimas 30 horas de Ceuta em direção a Marrocos. Fontes policiais indicaram à EFE que estes números podem incluir migrantes que chegaram à cidade autónoma nos dias anteriores à entrada em massa e até outros que terão entrado e saído mais do que uma vez.
A noite na cidade correu sem incidentes. As entradas foram totalmente suspensas, enquanto as partidas para Marrocos continuaram sem ocorrências relevantes. Na manhã deste sábado começaram a ser instaladas barreiras de contenção no espigão da fronteira de Tarajal.
O número de mortos na sequência deste fluxo migratório aumentou para 67.
Sánchez critica atitude "egoísta" de alguns paísesA situação em Ceuta desencadeou uma crise diplomática na Europa, com a Itália e França a reforçarem, já este sábado, o controlo das suas fronteiras com Espanha.
Na quinta-feira, a Itália anunciou a intenção de suspender a Espanha do Espaço Schengen, medida que recebeu o apoio da Finlândia e da Dinamarca.
Espanha classificou a proposta como "demagógica" e o seu alcance como incerto, com os especialistas jurídicos a afirmarem que é impossível implementá-la dentro do atual quadro legal.
Este sábado, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, enviou uma carta às instituições europeias a reclamar da atitude "egoísta" de alguns países em relação à crise migratória em Ceuta. Na carta, Sánchez solicita uma reunião dos ministros do Interior dos 27 Estados-membros da UE.
"A reação dos governos europeus nas últimas horas tem sido bastante assimétrica. A maioria demonstrou o seu apoio e solidariedade, oferecendo a sua ajuda. Outros, contudo, optaram por atacar Espanha e a exigir a sua exclusão temporária do Espaço Schengen", escreveu Sánchez na carta dirigida aos responsáveis das instituições europeias.
"Tal atitude — motivada por preconceitos, desinformação, ignorância ou interesses políticos — não só é contrária ao direito europeu, ao direito humanitário e aos princípios de solidariedade que nos unem, como contraria os interesses de longo prazo da Europa", acrescenta.
"No actual contexto internacional, a União Europeia não se pode dar ao luxo de adoptar este tipo de reacção egoísta, polarizadora e ilegal", declara.
Pedro Sanchéz diz que "este não é o momento de divisões" e garante que a integridade do Espaço Schengen está garantida.
Da parte de Portugal, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu ter razões para reforçar as fronteiras terrestres e marítimas com Espanha, mas rejeitou suspender o espaço Schengen.
Sánchez aponta o dedo a “máfias”
Ainda não se consegue explicar em concreto o que terá motivado este número sem precedentes de migrantes que atravessaram a nado até à costa de Ceuta.
O primeiro-ministro espanhol afirmou que poderia dever-se a uma decisão do supremo tribunal de Espanha este mês que impede a devolução imediata a Marrocos de migrantes intercetados no mar ao tentar chegar a Ceuta ou a Melilla.
Sánchez falam num “ataque, uma violação da integridade territorial de Espanha" e acusou as "máfias" de estarem por detrás do rumor de que a fronteira tinha sido aberta.
O Ministério do Interior espanhol anunciou o envio imediato de dezenas de membros da Guarda Civil e polícias, incluindo oito mergulhadores, bem como uma embarcação e drones.
Ceuta, um pequeno território de 84 mil habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, forma uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa (juntamente com o outro enclave espanhol, Melilla).