Economia
Um em seis portugueses já deitou fora incorretamente pequenos aparelhos elétricos
Estamos atualmente dependentes da tecnologia e, entre os vários produtos desta gama, encontram-se os aparelhos de baixo custo. De acordo com um estudo realizado em 12 países europeus, oito em cada dez portugueses inquiridos compraram tecnologia de baixo custo no espaço de um ano.
Carregadores, auriculares, cabos e luzes LED - muitos acabaram esquecidos em casa ou depositados em locais indevidos.
Este estudo comportamental revela que um em cada seis compradores portugueses inquiridos (17,8 por cento) refere ter colocado pequenos equipamentos elétricos de baixo custo no lixo comum ou em contentores inadequados.
Descartáveis como uma "chiclete"
Estes hábitos de consumo descartável não são de agora.Na décida de 1980, o grupo português Táxi cantava: “Tudo que é coisa que promete, a gente vê como uma chiclete, que se prova, mastiga, deita fora, sem demora”
O chavão musical parece continuar presente. Só em Portugal, 82,5 por cento dos participantes afirmaram ter comprado pelo menos um pequeno equipamento elétrico de baixo custo entre agosto de 2025 e julho de 2026.
O conceito de fast tech inclui produtos como os já referidos, entre outros aparelhos, apenas para responder a uma necessidade pontual ou funcionar como equipamento de reserva.
Os caixotes verdes do lixo e o ecoponto amarelo também são referidos por 29,8 por cento como destinos onde já depositaram estes produtos. Em contraponto, 41,9 por cento dos inquiridos confirmam ter entregado este tipo de equipamentos num ponto de recolha ou numa instalação municipal, como um ecocentro.
Um problema europeu
Perante uma avaria, 59,1 por cento afirmaram que voltariam a escolher o mesmo modelo ou outro equipamento barato. Ainda assim, 80,3 por cento reconheceram que, em algumas compras, teriam preferido pagar mais por uma alternativa com maior durabilidade.
A reduzida duração de alguns destes produtos nas mãos dos consumidores não é apenas da responsabilidade dos portugueses, sendo visível no conjunto dos 12 países analisados. Mais de um terço dos compradores, 38,6 por cento, declarou ter descartado pelo menos um pequeno equipamento elétrico sem nunca o utilizar, depois de uma única utilização ou antes de completar um mês de uso.
Para o diretor-geral de Elétricos e Pilhas do Electrão, Ricardo Furtado, o baixo preço ou a curta duração não retiram a estes produtos a condição de equipamentos elétricos.
“Os aparelhos de baixo custo e curta duração continuam a ser equipamentos elétricos. Devemos prolongar o seu uso até ser possível, nomeadamente através da reutilização, e quando deixam de servir é necessário encaminhá-los para reciclagem”, realça Ricardo Furtado.
A Electrão chama também a atenção para a importância da recolha separada
dos pequenos equipamentos, pois essa função permite recuperar metais e
plásticos, que podem voltar a ser utilizados no fabrico de novos
produtos, reduzindo a necessidade de extração de matérias-primas.
A reciclagem possibilita também a remoção e o tratamento de componentes com substâncias perigosas, como é o caso dos equipamentos com baterias de iões de lítio.
O descarte incorreto - lixo comum ou ecopontos errados - pode mesmo dar origem a um incêndio, devido à sua composição química, quando esmagadas ou perfuradas nos veículos de recolha ou nas instalações de triagem e tratamento, colocando em risco trabalhadores e infraestruturas.
O descarte incorreto - lixo comum ou ecopontos errados - pode mesmo dar origem a um incêndio, devido à sua composição química, quando esmagadas ou perfuradas nos veículos de recolha ou nas instalações de triagem e tratamento, colocando em risco trabalhadores e infraestruturas.
Parque Mayer assinala data com escultura
O estudo foi promovido pelo WEEE Forum, associação internacional de entidades gestoras de resíduos elétricos da qual o Electrão faz parte, e divulgado no âmbito da 14ª edição do Dia Internacional dos Resíduos Elétricos.
Foto: Electrão
Para assinalar a data, o Electrão instalou no Parque Mayer, junto ao Teatro Variedades, em Lisboa, um contentor para recolher estes resíduos elétricos.
Também associado a esta temática, a Electrão contribuiu com uma escultura construída com equipamentos elétricos e electrónicos, fora de uso, que serviu para compor a cenografia de uma ópera contemporânea portuguesa “Pigmalião”, que decorreu em setembro, agora em exposição neste espaço cultural da cidade de Lisboa.
Também associado a esta temática, a Electrão contribuiu com uma escultura construída com equipamentos elétricos e electrónicos, fora de uso, que serviu para compor a cenografia de uma ópera contemporânea portuguesa “Pigmalião”, que decorreu em setembro, agora em exposição neste espaço cultural da cidade de Lisboa.
Ficha técnica do estudo
O estudo inquiriu 10 245 adultos em 12 países europeus, incluindo 503 em Portugal, através de um painel online, em julho de 2026. Os resultados foram ponderados por idade e género. Os últimos 12 meses referenciados correspondem ao período entre agosto de 2025 e julho de 2026. As perguntas sobre o destino dos equipamentos abrangem quem já comprou estes produtos e não se limitam a esse período.
O inquérito incidiu sobre produtos de carregamento e iluminação abaixo de 10 euros e artigos tecnológicos e gadgets abaixo de 20 euros, com limiares adaptados aos mercados. Os cigarros eletrónicos descartáveis foram analisados separadamente. Os dados sobre utilização curta correspondem ao menor período de uso recordado por cada comprador e não indicam a duração média dos produtos.