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Um ilustre desconhecidos à frente da política externa da Alemanha

Um ilustre desconhecidos à frente da política externa da Alemanha

Um ilustre desconhecido da opinião pública alemã e internacional, Frank-Walter Steinmeier, será o futuro ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, o maior país da União Europeia, como revelou hoje a direcção do Partido Social-Democrata (SPD).

Agência LUSA /

Ministro da Chancelaria Federal desde 1998, Steinmeier tem sido, no entanto, um dos homens mais poderosos da política alemã, e uma verdadeira «eminência parda» na sombra do chanceler cessante, Gerhard Schroeder, com quem trabalha desde 1991.

Steinmeier é a discrição personificada, sempre evitou estar na ribalta, mas a sua importância é - como disse hoje um analista - "directamente proporcional ao seu grau de anonimato".

A sua missão como «braço direito» de Schroeder foi coordenar a política do governo SPD/Verdes, e só graças ao seu trabalho nos bastidores as reuniões do gabinete federal puderam correr quase sempre sobre rodas.

«Eu valho tanto como seis ministros», disse Steinmeier numa entevista, quando lhe pediram para descrever o seu quotidiano laboral.

O facto de esta afirmação não ter sido mal interpretada revela que o futuro chefe da diplomacia alemã sabe dizer as coisas sem arrogância e até com um certo charme.

Steimmeier ocupa na Chancelaria Federal um gabinete no sétimo andar, tal como o chanceler Schroeder e os seus colaboradores mais próximos, mas nunca teve a preocupação de se afirmar como pessoa muito importante.

O presidente da CSU, Edmund Stoiber, elogiou, no início da semana, a postura de Steinmeier durante as conversações prévias para um governo de coligação entre a CDU/CSU (União Democrata Cristã/União Cristã Social) e o SPD.

A participação do ministro da Chancelaria Federal nas negociações ao mais alto nível entre Schroeder, e a líder da CDU, Angela Merkel, do SPD, Franz Muentefering, e da CSU da Baviera, Edmund Stoiber, não estava anunciada.

Foi pois com algum espanto que, no domingo passado, os jornalistas viram Steinmeier sair do edifício da Sociedade Parlamentar, onde os quatro dirigentes partidários estavam reunidos para decidir o futuro político da Alemanha.

De aparência jovial, sem aparentar mesmo os seus 49 anos, Steinmeier é, no entanto, uma pessoa introvertida, como referem pessoas que trabalharam de perto com ele.

«Estivemos juntos no Governo, mas de facto não sei nada sobre ele», confessou um ex-ministro do Governo regional da Baixa-Saxónia.

Steinmeier formou-se em Direito em 1991, na Universidade de Giessen, onde foi depois assistente, e dois anos mais tarde já era chefe de gabinete do ministro-presidente da Baixa-Saxónia, Gerhard Schroeder, passando depois a liderar a Chancelaria de Hannover.

A nomeação de Steinmeier para ministro dos Negócios Estrangeiros significa assim «ter o máximo possível de Schroeder no futuro Governo de Angela Merkel», como observou hoje um comentador alemão.

O actual ministro da Chancelaria é considerado um profundo conhecedor de todos os dossiers da política externa mercê da sua posição privilegiada junto de Gerhard Schroeder.

Quando o Governo alemão decidiu as medidas anti-terroristas após os atentados de 11 de Setembro de 2001, Steinmeier estava lá, e quando Schroeder avançou com a Agenda 2010 para reformar o Estado providência também ouviu os conselhos do seu ministro da Chancelaria.

A partir de 2002, Steimmeier teve um papel fulcral na criação da Direcção-Geral de Política Europeia na Chancelaria Federal, decisão que esteve longe de agradar ao actual chefe da diplomacia alemã, Joschka Fischer.

Apesar do prestígio que Steinmeier granjeou nas suas funções, também há no SPD quem pense que o ministério dos Negócios Estrangeiros, o mais importante que o SPD terá no Governo de coligação, devia ser entregue a uma personalidade mais política.

De facto, a escolha de Steinmeier para chefe da diplomacia alemã tem um grave inconveniente para os sociais-democratas, que não poderão assim colocar nesta importante «montra» o seu candidato a chanceler para as legislativas de 2009.

Por isso a escolha inicial de Schroeder e do Presidente do SPD, Franz Muentefering, para ministro dos Negócios Estrangeiros, terá sido Matthias Platzeck, ministro-presidente de Brandeburgo e uma das poucas promessas do SPD.

Só que Platzeck, que curiosamente chefia em Potsdam um Governo de coligação com a CDU, recusou mudar-se para Berlim, alegando que é «um provinciano» e que tem um compromisso com os eleitores leste- alemães.

Mesmo assim, a escolha de Steinmeier para chefe da diplomacia e figura de proa do SPd no futuro Governo foi um mal menor, dizem outros sociais-democratas, lembrando que chegou a falar-se para o cargo no actual ministro do Interior, Otto Schily, apesar dos seus 73 anos, e da sua conhecida inflexibilidade.

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