Um morto cada dois dias nas prisões inglesas e galesas
Um recluso morre na prisão de dois em dois dias, segundo um relatório parlamentar divulgado hoje, que denuncia o nível "chocante" de perdas de vidas no sistema prisional de Inglaterra e do País de Gales.
"Cada dois dias, alguém é morto, suicida-se ou morre em circunstâncias duvidosas" nas prisões inglesas e galesas "e, francamente, isto chocante", denunciou a comissão parlamentar britânica para os Direitos Humanos.
"A taxa de criminalidade tem descido, mas há mais reclusos que nunca", salienta o relatório, pondo em causa "o recurso abusivo ao sistema prisional" para afastar da sociedade pessoas com comportamentos desviantes.
De acordo com o documento, 434 reclusos suicidaram-se em Inglaterra e no País de Gales entre 1999 e 2003, isto é, um em cada quatro dias.
O número de tentativas de suicídio, segundo o mesmo documento, foi duas vezes superior. As outras mortes deveram-se a acidentes, assassínios e doenças mal tratadas.
Cerca de 80 pessoas condenadas no âmbito da legislação específica sobre os doentes mentais também morrem todos os anos em circunstâncias não naturais, assinala ainda o relatório.
Nas conclusões, deputados e lordes britânicos - respectivamente das câmaras baixa (Comuns) e alta do parlamento - exigiram uma investigação pública ao suicídio, em Março de 2002, de um adolescente de 16 anos, Joseph Scholes, encontrado enforcado na cela depois de ter passado nove dias num centro para jovens reclusos.
"Enquanto as prisões forem o escoadouro para pessoas com problemas mentais, de droga, ou álcool, o número de mortes e nomeadamente de suicídios continuará a ser elevado", acusou hoje um responsável do sindicato dos funcionários prisionais.
A população prisional inglesa e galesa bateu em Março passado um novo recorde, ultrapassando os 75.000 reclusos. Na Grã-Bretanha, a Escócia e a Irlanda do Norte têm sistemas penitenciários autónomos, que não estão sob o controlo de Westminster.