Um morto na RDCongo em ataque aos `capacetes azuis` da ONU
Uma pessoa morreu hoje em Beni, no leste da República Democrática do Congo (RDCOngo), quando uma comitiva de veículos dos capacetes azuis da ONU foi atacada e abriu fogo para abrir caminho.
"Infelizmente, uma bala perdida atingiu um motorista que morreu", disse o porta-voz da polícia, Nasson Murara, em Beni, na província de Kivu do Norte, no leste do país, em declarações à agência de notícias France-Presse (AFP).
De acordo com a mesma fonte, o incidente aconteceu num contexto de um sentimento anti-ONU, cujo mais recente episódio é este bloqueio e ataque à comitiva dos `capacetes azuis` da ONU.
Está a ser conduzida uma investigação por agentes policiais para "identificar os autores destes disparos", acrescentou o porta-voz da polícia, que pediu paciência e lembrou o calendário acordado para a saída da Monusco (Missão de Estabilização das Nações Unidas na RDCongo) em 2024.
No final de julho, houve manifestações violentas em várias cidades do leste da RDCongo, incluindo Beni e Butembo, para exigir a partida das Nações Unidas, acusadas de ineficácia na luta contra os cerca de uma centena de grupos armados que têm vindo a espalhar o terror na região há quase 30 anos.
Trinta e dois manifestantes e quatro soldados da paz foram mortos numa semana, de acordo com os números das autoridades congolesas.
No início de agosto, o Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, falou com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para abordar a crise, confirmando que está em vigor um "plano de retirada faseado" para a Monusco até 2024.
A missão - cujo mandato foi renovado por mais um ano pelo Conselho de Segurança da ONU em dezembro de 2021 - retirou as suas tropas da província oriental de Tanganica em junho passado, na sequência de uma redução da violência na região.
Do mesmo modo, como resultado desta crise, o Governo congolês anunciou numa carta tornada pública em 03 de agosto a expulsão do porta-voz da Monusco, Mathias Gillmann, considerando que a sua "presença" não contribuiu para "favorecer um clima de confiança mútua e de serenidade".
Os meios de comunicação congoleses atribuíram o descontentamento das autoridades às afirmações públicas de Gillmann sobre a falta de capacidade da missão e das forças armadas congolesas para lidar com o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), um dos muitos que lutam no leste do país, mas com uma capacidade militar excecional.
O leste da RDCongo tem estado mergulhado em conflito desde 1998, alimentado por milícias rebeldes e ataques de soldados do exército, apesar da presença de Monusco, que conta com cerca de 14.000 militares.