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Uma conversa por telefone, explosões na Rússia e a trégua que perdura em Oleshky

Uma conversa por telefone, explosões na Rússia e a trégua que perdura em Oleshky

Pelo segundo dia consecutivo, no sul da Ucrânia, está em vigor uma trégua raríssima em quase cinco anos de guerra, na cidade de Oleshky. Uma pausa cirúrgica porque a guerra continua. Durante a madrugada, a Ucrânia atacou uma fábrica de produtos químicos, a cerca de 200 quilómetros a sul de Moscovo. Do lado russo, um submarino nuclear lançou um míssil balístico intercontinental que atingiu o alvo a 600 quilómetros da Finlândia e Noruega. Os líderes destes dois países conversaram com Vladimir Putin, por telefone, na terça-feira.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Habitante de Oleshky que escapou da cidade mostra destruição. Alina Smutk - Reuters

O primeiro-ministro norueguês veio hoje justificar o contacto telefónico com Vladimir Putin e o presidente da Finlândia. Entrevistado na emissora pública norueguesa (NRK), Jonas Gahr Støre afirma que o objetivo era garantir que o líder russo ouvia as perspetivas europeias.

"Nós (Alexander Stubb e eu) estávamos focados em olhar para o futuro, para o que é preciso acontecer para que esta guerra não continue indefinidamente durante meses, com pessoas a morrer, e é ainda mais difícil encontrar uma solução", diz o líder do governo da Noruega.

A conversa, que durou 90 minutos, quebrou uma prática de longa data entre os líderes da Europa Ocidental: evitar o contacto direto com o Kremlin. Razão pela qual o telefonema foi criticado por aliados, incluindo a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen."Não creio que (Putin) vá mudar de ideias, mas ouve a nossa posição de forma muito clara. Preocupa-me que algumas destas mensagens não lhe cheguem quando os norte-americanos falam com ele", alertou, esta manhã, o primeiro-ministro da Noruega.
Quando questionado se seria possível alcançar a paz sem que a Ucrânia ceda território, Støre declarou que “a Rússia controla quase 20 por cento (do território ucraniano). A Ucrânia nunca assinará um acordo que reconheça a perda de território. Mas, se é possível considerar a atual linha da frente como uma realidade e como ponto de partida, essa já é uma outra questão".
A tréguaEm Oleshky, os mediadores da Rússia e da Ucrânia confirmam, em declarações separadas, que a trégua continua a ser respeitada. "Passaram 30 horas de cessar-fogo em Oleshky sem o menor incidente", declarou o representante ucraniano.
O cessar-fogo tem o objetivo de permitir a entrega de ajuda humanitária e a saída dos civis que pretendam partir. Ainda que o regresso ao território sob controlo ucraniano é praticamente impossível nesta zona, uma vez que as pontes sobre o rio Dnieper foram destruídas.

Oleshky encontra-se sob fogo cruzado de ataques de drones ucranianos e russos, tornando a circulação extremamente perigosa em estradas que também estão com minas. 
Um alto funcionário ucraniano, que falou sob anonimato com a AFP, afirma que uma grande parte dos residentes deseja permanecer na cidade.
Os drones e o submarino nuclearEsta quarta-feira, um submarino nuclear russo da Frota do Pacífico lançou um míssil balístico intercontinental. O alvo, na região ártica de Arkhangelsk, foi atingido e fica a 600 quilómetros da Finlândia e Noruega. O comando militar russo revelou que o lançamento ocorreu a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, no extremo oriente russo. 

Pelo lado da Ucrânia, um ataque com drones atingiu uma fábrica de produtos químicos na região russa de Tula, a cerca de 200 quilómetros a sul de Moscovo. A informação foi avançada pelas autoridades russas e meios de comunicação independentes russos e ucranianos. A fábrica pertence ao maior produtor russo de amónia e fertilizantes que podem também ser utilizados no fabrico de explosivos.
O Ministério da Defesa da Rússia também assegura que, durante a madrugada, as defesas antiaéreas "intercetaram e destruíram 531 drones ucranianos de asa fixa" sobre 13 regiões russas.
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