Mundo
Uma greve histórica das mulheres contra a desigualdade salarial na Islândia
Milhares de mulheres na Islândia preparam-se para participar numa paralisação na próxima terça-feira, 24 de outubro, para lutar contra as desigualdades salariais e a violência de género e sexual. Uma greve inédita de um dia inteiro no país, a primeira desde 1975, na qual participará também a primeira-ministra islandesa, Katrín Jakobsdóttir, avança o The Guardian.
Está convocada para esta terça-feira a maior mobilização pelos direitos das mulheres, dos últimos 50 anos, que contará com a participação de mulheres e pessoas não binárias de todos os setores de atividade do país. Desde o ensino, à saúde até à política, dezenas de milhares deverão parar de trabalhar durante 24 horas, incluindo trabalho doméstico, para sensibilizar a sociedade para os direitos das mulheres, de acordo com o jornal The Guardian. "Antes de mais, estou a mostrar solidariedade para com as mulheres islandesas", anunciou Katrín Jakobsdóttir ao site mbl.is, na sexta-feira.
“Continuamos a lutar contra as disparidades salariais entre homens e mulheres, que são inaceitáveis em 2023. Continuamos a combater a violência baseada no género, que tem sido uma prioridade do meu Governo" acrescentou Jakobsdottir, líder do movimento Esquerda Verde, e a segunda mulher a governar o país como primeira-ministra.
Katrín Jakobsdóttir informou que não iria convocar uma reunião do Conselho de Ministros para a próxima terça-feira e que esperava que as outras mulheres do seu Governo também ficassem em casa.
De acordo com o The Guardian, espera-se que pelo menos 25 mil pessoas se juntem numa manifestação em Reiquiavique, na capital do país e noutras dez manifestações que terão lugar por todo o país esta terça-feira. Também mulheres e as pessoas não binárias que realizam trabalho não remunerado, como por exemplo trabalho doméstico, deverão juntar-se à manifestação.
Antevê-se assim que esta venha a ser a maior greve das mulheres organizada na Islândia, ultrapassando a adesão de 90 por cento na última greve que aconteceu no âmbito da kvennafrí, conhecido como "o dia de folga das mulheres" e que conduziu a uma revolução social do país. Cinco anos mais tarde, em 1980, os islandeses elegeram a primeira mulher presidente do mundo, Vigdís Finnbogadóttir.
Paraíso da igualdade?
Quase cinquenta anos depois, e embora a Islândia seja considerado um líder mundial em matéria de igualdade de género, liderando a classificação do Fórum Económico Mundial, nos últimos catorze anos, a valorização do trabalho das mulheres islandesas continua por satisfazer.
"Um paraíso de igualdade não deveria ter uma diferença salarial de 21% e 40% de mulheres que sofrem violência sexual ou de género durante a sua vida. Não é por isso que as mulheres de todo o mundo se estão a esforçar", disse Freyja Steingrímsdóttir, uma das organizadoras da greve, ao The Guardian.
Os números mostram que em algumas profissões as mulheres na Islândia continuam a ganhar menos 21 por cento que os homens e que mais de 40 por cento das mulheres já foram vítimas de violência sexual ou de género. Assim como continua a haver uma subvalorização de profissões tradicionalmente associadas às mulheres, como a limpeza ou a prestação de cuidados.
Perante uma reputação mundial de “paraíso da igualdade” a Islândia tem a responsabilidade de "garantir que estamos à altura dessas expectativas", defendeu Freyja Steingrímsdóttir, também diretora de comunicação da BSRB, a Federação Islandesa dos Trabalhadores Públicos.
Paraíso da igualdade?
Quase cinquenta anos depois, e embora a Islândia seja considerado um líder mundial em matéria de igualdade de género, liderando a classificação do Fórum Económico Mundial, nos últimos catorze anos, a valorização do trabalho das mulheres islandesas continua por satisfazer.
"Um paraíso de igualdade não deveria ter uma diferença salarial de 21% e 40% de mulheres que sofrem violência sexual ou de género durante a sua vida. Não é por isso que as mulheres de todo o mundo se estão a esforçar", disse Freyja Steingrímsdóttir, uma das organizadoras da greve, ao The Guardian.
Os números mostram que em algumas profissões as mulheres na Islândia continuam a ganhar menos 21 por cento que os homens e que mais de 40 por cento das mulheres já foram vítimas de violência sexual ou de género. Assim como continua a haver uma subvalorização de profissões tradicionalmente associadas às mulheres, como a limpeza ou a prestação de cuidados.
Perante uma reputação mundial de “paraíso da igualdade” a Islândia tem a responsabilidade de "garantir que estamos à altura dessas expectativas", defendeu Freyja Steingrímsdóttir, também diretora de comunicação da BSRB, a Federação Islandesa dos Trabalhadores Públicos.