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UNESCO. Veneza em risco de integrar lista de Património Mundial em perigo
O excesso de turismo, associado aos efeitos negativos do aquecimento global, está a empurrar Veneza para a lista do património mundial em perigo depois de ter escapado à integração na lista em 2021. As medidas propostas por Itália são "ainda ineficazes e precisam de ser desenvolvidas" constatou o Comité do Património Mundial (CPM) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
"Os efeitos da deterioração contínua devido à intervenção humana, incluindo o desenvolvimento contínuo (da cidade), os impactos das alterações climáticas e o turismo de massas ameaçam provocar alterações irreversíveis no valor universal excecional do bem", constatou o Comité da UNESCO num parecer indicativo publicado, esta segunda-feira, no “site” da organização.
Classificada em 1987 como Património Mundial da Humanidade, Veneza - uma cidade insular que se estende por 118 ilhotas, - é considerada “uma obra-prima arquitetónica extraordinária, pois até o mais pequeno monumento contém obras de alguns dos maiores artistas do mundo, como Giorgione, Ticiano, Tintoretto, Veronese e outros”, de acordo com a organização.
Na próxima reunião do CPM, em Riade, serão analisados 53 novos sítios candidatos à inclusão na lista do património mundial, recomendados pela UNESCO para incentivar uma melhor preservação do bem para o futuro. Em circunstâncias excecionais, e caso as medidas tomadas não sejam consideradas satisfatórias, um bem pode perder o estatuto de património mundial.
No entanto a integração na lista do património em perigo não é uma certeza: está dependente da aprovação dos 21 Estados membros presentes na 45ª sessão do Comité do Património Mundial (CPM), que se realizará na cidade de Riade, na Arábia Saudita, entre os dias 10 e 25 de setembro.
A riqueza cultural da cidade faz com que a cidade seja um das mais visitadas do mundo, recebendo diariamente dezenas de milhares de visitantes assim como turistas que pernoitam na cidade e levam cada vez mais à escassez de habitantes locais.
Em declarações à agência France Presse, um diplomata da UNESCO considerou: "Continuamos a apostar demasiado no turismo de massas, e não no turismo sustentável, em detrimento da população. Veneza não deve ser transformada num museu ao ar livre".
Além dos efeitos de degradação relacionados com o turismo, a “subida do nível do mar” e outros “fenómenos meteorológicos extremos” ligados ao aquecimento climático “ameaçam” a “integridade” do sítio, defendeu a UNESCO.
Medidas tomadas "não estão a avançar à velocidade certa"
Deste modo, e face a “um perigo comprovado” a UNESCO recomenda que Veneza seja inscrita na lista do Património Mundial em perigo, por ter tomada medidas “insuficientes” para combater a deterioração do bem, dificultadas pela “ausência de uma visão estratégica comum global" e pela "fraca eficácia e coordenação" das autoridades locais e nacionais italianas.
A recomendação de inclusão na lista é feita na esperança de “um maior
empenho e a uma maior mobilização dos atores locais, nacionais e
internacionais".
Em 2021 quando o Comité do Património Mundial recomendou pela primeira vez a sua inscrição, as autoridades italianas anunciaram, desde logo, “a proibição de acesso à lagoa para os navios transatlânticos” de grande dimensão, uma vez que é vulnerável às marés altas que inundam com regularidade a Praça de São Marcos e enfraquecem as fundações dos edifícios da cidade.
E garantiram que “seguiriam as medidas recomendadas pela UNESCO". No entanto, “os progressos registados foram insuficientes e demasiado lentos em relação ao nível de ameaça que pesa sobre o local", explicou um diplomata da UNESCO à AFP.
Na próxima reunião do CPM, em Riade, serão analisados 53 novos sítios candidatos à inclusão na lista do património mundial, recomendados pela UNESCO para incentivar uma melhor preservação do bem para o futuro. Em circunstâncias excecionais, e caso as medidas tomadas não sejam consideradas satisfatórias, um bem pode perder o estatuto de património mundial.
Durante a sessão do Comité serão ainda analisadas a proposta de classificação dos jardins e do edifício da Gulbenkian como Património da Humanidade e a candidatura para ampliação da área do Centro Histórico de Guimarães, classificado como Património Mundial desde 2011.