Mundo
União Europeia congela bens de Ianukovich e de outros 17 altos responsáveis ucranianos
Horas antes da reunião do Conselho Europeu sobre a Ucrânia, cujo início está marcado para as 10h30 (hora de Lisboa) em Bruxelas, a União Europeia congelou os bens do Presidente deposto, Viktor Ianukovich e do seu filho Aleksander, do anterior primeiro ministro Mykola Azarov, do anterior responsável pelos serviços de segurança, de um antigo procurador-geral e de dois antigos ministros, do Interior e da Justiça. São acusados de desvio de fundos estatais e de violação dos direitos humanos.
As sanções haviam sido anunciadas quarta-feira e foram agora aplicadas, tendo sido o seu anúncio publicado em comunicado no jornal oficial da União Europeia na quinta-feira. Angela Merkel, François Hollande, David Cameron e 25 outros líderes da UE vão reunir-se primeiro com o primeiro ministro ucraniano Arseni Iatseniuk, seguindo-se a reunião convocada de urgência para "debater a situação na Ucrânia e a reação da União Europeia" e a ajuda de 11 mil milhões de euros prometida à Ucrânia.
Os Estados Unidos pretendem impor igualmente sanções económicas à Rússia mas a União Europeia está relutante e procura uma "lógica de saída da crise e não de sanções" como afirmou uma fonte da presidência francesa.
Não se prevê assim nenhuma decisão no Conselho Europeu quanto a eventuais sanções mas a ameaça deverá ser reafirmada para se manter "credível." A reunião dos 28 deverá antes procurar um ponto de equilíbrio entre o convite ao diálogo e mediação e uma posição de força.
Esforços diplomáticos
A Chanceler alemã Angela Merkel voltou a falar ao telefone com o Presidente russo Vladimir Putin, tendo sido debatidos "cenários" conducentes a uma normalização da situação, de acordo com o Kremlin.
No entanto, uma tentativa de reunir quarta-feira à noite em Paris os responsáveis pelas diplomacias russa e ucraniana, Serguei Lavrov e Andrii Dechtchitsa, acabou por fracassar.
E, após reunir-se com brevidade com o seu homólogo norte-americano John Kerry, o ministro russo dos Negócios estrangeiros, Sergei Lavrov, afirmou que os esforços dos "parceiros" da Rússia estão a prejudicar a resolução da crise.
"Em relação às ações que os nossos parceiros estão a tentar realizar através da OSCE (organização para a Segurança e Cooperação na Europa, um organismo de observadores e promotores da democracia), do Conselho NATO-Rússia e de outras organização internacionais, a sua ação não está a ajudar a criar uma atmosfera de diálogo e cooperação construtiva" disse Lavrov.
Tensão em Donestk
Na Ucrânia nas últimas horas o foco de tensão passou da Crimeia, já totalmente controlada por forças pró-russas, para Donetsk, baluarte do apoio a Viktor Ianukovich, onde o Parlamento tem passado sucessivamente de mãos.
Durante a noite, uma falsa ameaça de bomba levou os manifestantes pró-russos que haviam retomado o controlo do edifício da administração regional e da assembleia regional a evacuar o edifício.
Cerca de dois mil manifestantes regressaram horas depois e romperam um cerco policial entretanto formado, clamando "Rússia" e "Berkut", o nome do da tropa de choque da polícia que reprimiu o movimento do Maidan e entretanto banida por Kiev.
Têm-se ainda registado confrontos nas ruas de Donestk, entre apoiantes de Ianukovich e defensores das novas autoridades ucranianas de Kiev, e a situação pode degenerar em violência a qualquer momento.Tanto na Crimeia como em Donestsk, a população local russófona apoia as suas ações de força na contestação à legitimidade do governo designado Ucrânia na semana passada após a fuga de Ianukovich para a Rússia, tendo nomeado os seus próprios dirigentes locais, Pavel Gubarev em Donetsk e Sergiï Axionov na Crimeia.
Na península, as tropas leais a Kiev estão bloqueadas por homens armados que observadores e população identificam como soldados russos mas que Moscovo afirma serem grupos de auto-defesa oriundas da população russófona local.
De acordo com Sergiï Axionov, 11.000 milícias populares reforçaram os contingentes da policia de choque e outras forças de segurança. Axionov diz que controlam agora todos os pontos de entrada da Crimeia e bloquearam nas suas bases as forças ucranianas que ainda não se renderam.
Enviado da ONU expulso
O controle da região pelas tropas pró-russas é de tal forma firme que o enviado da ONU à região, Robert Serry, foi ameaçado por 10 a 15 homens armados em Simferol, capital da Crimeia, tendo sido forçado a retirar-se sob escolta.
Serry e a sua delegação foram para Istambul, Turquia, e "preparam-se para regressar em breve a Kiev para prosseguir a sua missão" afirmou um porta-voz da missão.
A Turquia, membro da NATO, tem defendido uma solução pacífica na região ao mesmo tempo que defnde a integridade territorial. Preocupa-se igualmente com o destino da população de etnia muçulmana Tártara da Crimeia.
Numa coincidência talvez fortuita, o primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev anunciou que está em estudo uma simplificação das regras para obtenção de cidadania da Federação russa. A iniciativa processual aplica-se a pessoas cuja língua materna seja o russo e que tenham vivido na Rússia ou na antiga União Soviética.
Os Estados Unidos pretendem impor igualmente sanções económicas à Rússia mas a União Europeia está relutante e procura uma "lógica de saída da crise e não de sanções" como afirmou uma fonte da presidência francesa.
Não se prevê assim nenhuma decisão no Conselho Europeu quanto a eventuais sanções mas a ameaça deverá ser reafirmada para se manter "credível." A reunião dos 28 deverá antes procurar um ponto de equilíbrio entre o convite ao diálogo e mediação e uma posição de força.
Esforços diplomáticos
A Chanceler alemã Angela Merkel voltou a falar ao telefone com o Presidente russo Vladimir Putin, tendo sido debatidos "cenários" conducentes a uma normalização da situação, de acordo com o Kremlin.
No entanto, uma tentativa de reunir quarta-feira à noite em Paris os responsáveis pelas diplomacias russa e ucraniana, Serguei Lavrov e Andrii Dechtchitsa, acabou por fracassar.
E, após reunir-se com brevidade com o seu homólogo norte-americano John Kerry, o ministro russo dos Negócios estrangeiros, Sergei Lavrov, afirmou que os esforços dos "parceiros" da Rússia estão a prejudicar a resolução da crise.
"Em relação às ações que os nossos parceiros estão a tentar realizar através da OSCE (organização para a Segurança e Cooperação na Europa, um organismo de observadores e promotores da democracia), do Conselho NATO-Rússia e de outras organização internacionais, a sua ação não está a ajudar a criar uma atmosfera de diálogo e cooperação construtiva" disse Lavrov.
Tensão em Donestk
Na Ucrânia nas últimas horas o foco de tensão passou da Crimeia, já totalmente controlada por forças pró-russas, para Donetsk, baluarte do apoio a Viktor Ianukovich, onde o Parlamento tem passado sucessivamente de mãos.
Durante a noite, uma falsa ameaça de bomba levou os manifestantes pró-russos que haviam retomado o controlo do edifício da administração regional e da assembleia regional a evacuar o edifício.
Cerca de dois mil manifestantes regressaram horas depois e romperam um cerco policial entretanto formado, clamando "Rússia" e "Berkut", o nome do da tropa de choque da polícia que reprimiu o movimento do Maidan e entretanto banida por Kiev.
Têm-se ainda registado confrontos nas ruas de Donestk, entre apoiantes de Ianukovich e defensores das novas autoridades ucranianas de Kiev, e a situação pode degenerar em violência a qualquer momento.Tanto na Crimeia como em Donestsk, a população local russófona apoia as suas ações de força na contestação à legitimidade do governo designado Ucrânia na semana passada após a fuga de Ianukovich para a Rússia, tendo nomeado os seus próprios dirigentes locais, Pavel Gubarev em Donetsk e Sergiï Axionov na Crimeia.
Na península, as tropas leais a Kiev estão bloqueadas por homens armados que observadores e população identificam como soldados russos mas que Moscovo afirma serem grupos de auto-defesa oriundas da população russófona local.
De acordo com Sergiï Axionov, 11.000 milícias populares reforçaram os contingentes da policia de choque e outras forças de segurança. Axionov diz que controlam agora todos os pontos de entrada da Crimeia e bloquearam nas suas bases as forças ucranianas que ainda não se renderam.
Enviado da ONU expulso
O controle da região pelas tropas pró-russas é de tal forma firme que o enviado da ONU à região, Robert Serry, foi ameaçado por 10 a 15 homens armados em Simferol, capital da Crimeia, tendo sido forçado a retirar-se sob escolta.
Serry e a sua delegação foram para Istambul, Turquia, e "preparam-se para regressar em breve a Kiev para prosseguir a sua missão" afirmou um porta-voz da missão.
A Turquia, membro da NATO, tem defendido uma solução pacífica na região ao mesmo tempo que defnde a integridade territorial. Preocupa-se igualmente com o destino da população de etnia muçulmana Tártara da Crimeia.
Numa coincidência talvez fortuita, o primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev anunciou que está em estudo uma simplificação das regras para obtenção de cidadania da Federação russa. A iniciativa processual aplica-se a pessoas cuja língua materna seja o russo e que tenham vivido na Rússia ou na antiga União Soviética.