União Europeia quer juntar-se a países árabes na luta contra o terrorismo

A União Europeia vai preparar ações de luta contra o terrorismo em cooperação com a Turquia e mais dez países árabes. A decisão, acertada numa reunião marcada na sequência dos atentados de Paris, foi anunciada esta segunda-feira pela chefe da diplomacia europeia, Frederica Mogherini, após essa reunião em Bruxelas em que estiveram os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 países da União.

Andreia Martins e Sara Piteira, RTP /
Yves Herman/Reuters

Frederica Mogherini, representante da diplomacia comunitária, anunciou em conferência de imprensa a preparação de projectos já para as próximas semanas. Um desses projectos tem a ver com um programa de cooperação com a Turquia, Egipto, Iémen, Algéria e Golfo Pérsico "em matéria de contraterrorismo".

A decisão foi tomada depois de os 28 representantes terem apelado à maior cooperação em matéria de terrorismo durante a reunião desta manhã em Bruxelas.

"Os ataques terroristas têm como alvo primário os muçulmanos e por isso precisamos de uma aliança, de estabelecer um diálogo e um acordo", esclareceu Mogherini. Para a representante da diplomacia europeia é importante "melhorar a comunicação europeia com países de língua árabe". Para isso, é necessário aperfeiçoar "as capacidades de falar, escrever e ouvir o idioma árabe".

Na reunião desta segunda-feira esteve presente o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, que concebe a luta contra o terrorismo em várias frentes: "O terrorismo não é apenas uma questão militar ou de segurança. É também um combate ao nível intelectual, cultural, mediático e religioso".

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, disse à saída que será discutido em breve a forma como se vai processar este estreitamento de relações com os Estados muçulmanos.
Espaço Shengen e combatentes em discussão

A par da cooperação externa, a União Europeia pretende a maior proximidade nos serviços de inteligência, o reforço do controlo fronteiriço nas zonas limítrofes do espaço Shengen e ainda a luta contra o tráfico de armas ou a criação de um registo comum de passageiros aéreos.

Medidas cuja importância assume novos contornos depois dos ataques terroristas registados em França e o desmantelamento de uma rede terrorista na Bélgica, no final da passada semana.



Depois da reunião dos chefes da diplomacia comunitária, serão os ministros do Interior a discutir as questões de segurança e soberania a 29 de janeiro, em Riga, na Letónia. Duas semanas mais tarde, a 12 de fevereiro, é a vez dos chefes de Governo participarem numa reunião sobre a luta contra o terrorismo e a abordagem que deve ser seguida no que diz respeito aos combatentes estrangeiros que ingressam nas fileiras do Estado Islâmico.
Mundo árabe em ebulição

Estas decisões tomam forma num momento em que muitos países árabes expressam a sua revolta contra o Charlie Hebdo. Na Tchechénia, uma manifestação na capital Grozny juntou centenas de milhares de pessoas contra a publicação satírica e a nova caricatura de Maomé que aparece logo na capa.

Destaque também para os violentos confrontos que ocorreram nas manifestações em Niger e causaram dez mortos.
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