Única máquina de radioterapia em Moçambique continua avariada
O único equipamento de radioterapia em Moçambique continua inoperacional por falta de peças de substituição, admitiu hoje o ministro da Saúde, que garantiu estar em curso uma tentativa de aquisição de uma nova máquina, para retomar os tratamentos.
"Nós temos aqui no país o único equipamento de radioterapia, que está parado, tentamos neste ciclo de governação reabilitar este equipamento", disse o ministro da Saúde, Ussene Isse, na abertura da 2.ª edição da Mozambique Medical Expo, em Maputo, uma plataforma que reúne instituições públicas e privadas, empresas e profissionais de saúde para debater oportunidades e desafios do setor.
"A radioterapia é uma arma principal para tratar alguns cancros, salva vida, então estão a imaginar essa dor que carregamos todos os dias para repor aquele aparelho a funcionar, um desafio em que as peças do aparelho já não se encontram no mercado, estão descontinuadas", afirmou.
A radioterapia é um dos principais tratamentos utilizados no combate ao cancro e a indisponibilidade do equipamento obriga doentes moçambicanos a procurarem assistência fora do país, com elevados custos para as famílias e para o Estado.
"Não podemos perder moçambicanos, temos que mandar pessoas para fora para fazer radioterapia. Então, estamos a trabalhar como Governo para acelerar este processo para trazermos um novo equipamento de radioterapia, mas precisamos da vossa colaboração, setor privado e outros parceiros que estão a nos ouvir: vamos investir naquilo que vai salvar vidas aos moçambicanos", apelou.
Ussene Isse defendeu que uma maior colaboração entre o setor público e privado poderá aumentar a capacidade nacional de resposta em áreas críticas da saúde e contribuir para reduzir a dependência do estrangeiro para tratamentos especializados.
Em novembro do ano passado, o mesmo governante tinha garantido que o material necessário para reparar a máquina já se encontrava em Maputo, depois de uma nova avaria registada no equipamento.
"O equipamento já está aqui em Maputo e nós, brevemente, iremos devolver a radioterapia ao povo moçambicano, porque sabemos que é a única máquina que existe no país e a maior parte da nossa população não tem condições para ir fazer tratamentos fora do país", declarou então.
A interrupção do serviço de radioterapia no Hospital Central de Maputo arrasta-se há vários anos, com sucessivas avarias e interrupções do tratamento. Em agosto de 2025, a direção daquela unidade hospitalar estimava em cerca de dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros) o custo da reparação e manutenção do equipamento.
Na mesma intervenção, o ministro da Saúde apontou como prioridade a redução das transferências de doentes para o estrangeiro, desafiando os operadores privados a aumentar a oferta nacional de cuidados especializados.
"Nós estamos a transferir doentes do nosso país para irem fazer tratamento fora, África do Sul, Índia, por aí fora. Será que não temos capacidade interna de nos organizarmos para resolver este problema? (...) Este é um desafio que quero lançar para trabalharmos em conjunto", afirmou.
O governante apelou igualmente ao investimento privado na produção local de medicamentos e consumíveis médicos, defendendo que Moçambique deve reforçar a sua autonomia no abastecimento do setor da saúde.
Em agosto, o Presidente moçambicano afirmou que o Centro Cirúrgico Nacional, atualmente em construção no Hospital Central de Maputo, deverá contribuir para reduzir o número de tratamentos especializados realizados no estrangeiro, que continuam a representar custos elevados para os doentes e para o Estado.