Unicef alerta para "sérios danos emocionais" das crianças do Nepal após sismos
A Unicef alertou hoje para o risco de as crianças nepalesas sofrerem "sérios danos emocionais", após testemunharem o impacto de dois recentes sismos no país, apelando para que se preste o apoio psicológico de que necessitam.
Em nota hoje enviada à Lusa, a agência das Nações Unidas para a Infância refere que, "se não forem tratadas", as crianças que presenciaram o cenário de destruição, decorrente do abalo no Nepal, poderão sofrer "sérios danos a longo prazo" a nível emocional.
"Não podemos subestimar o impacto psicológico sobre as crianças desses repetidos tremores poderosos", disse em nota o representante-adjunto da Unicef no Nepal, Rownak Khan, para quem "os sinais de sofrimento emocional - como ansiedade - podem estar escondidos e causar sérios danos a longo prazo se não forem tratadas".
Na terça-feira, o Nepal foi atingido por um segundo sismo, de magnitude 7,3, gerando deslizamentos de terras e causando a destruição de vários edifícios, já enfraquecidos com o sismo de 25 de abril.
Os abalos mataram mais de 8.000 pessoas e cerca de 300.000 casas ficaram destruídas.
Há menos de três semanas um sismo de magnitude 7,8 provocou mais de oito mil mortos.
Citado no comunicado, o responsável afirmou que o terremoto de 12 de maio "deixou muitos com muito medo de voltar para casa" e apresentou um testemunho vivido num centro de acolhimento das famílias sobreviventes do sismo de há menos de três semanas.
"Eu estava muito perto do epicentro quando ocorreu o tremor de terça-feira e as crianças abraçavam-se umas às outras e choraram durante horas enquanto as pessoas fugiam de suas casas. Sabemos que muitas crianças estão a sofrer de pesadelos, algumas estão extremamente tensas e não conseguem dormir, enquanto outras estão constantemente agarradas aos seus pais", afirmou Rownak Khan.
O representante da agência da ONU lembra que a agência lançou um apelo de emergência de quase 45 milhões de euros para dar resposta humanitária ao terremoto no Nepal.
"As crianças do Nepal já passam por tanta coisa e temos de fazer tudo o que pudermos para lhes dar de volta um sentimento de infância", disse.