UNICEF pede libertação "imediata" das crianças detidas nos últimos protestos no Irão
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pediu hoje a libertação de todas as crianças detidas durante os últimos "distúrbios" e protestos contra o Governo, que resultaram em mais de 3.000 mortos, segundo Teerão.
O diretor regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África, Edouard Beigbeder, mostrou a sua "profunda preocupação pelas informações que indicam que os menores detidos continuam presos".
Por isso, "apelamos ao fim da detenção de crianças em todas as suas formas e à libertação imediata das crianças detidas no Irão após os recentes distúrbios públicos. A República Islâmica do Irão é parte da Convenção sobre os Direitos da Criança e tem a obrigação de respeitar, proteger e garantir os direitos das crianças", afirmou.
Edouard Beigbeder pediu também "um acesso imediato e independente" a todas as crianças presas.
"Embora não seja possível verificar o número exato de crianças atualmente detidas nem em que condições se encontram, instamos a que se garanta um acesso imediato e independente a todas as crianças presas para avaliar a sua situação, tratamento e bem-estar", disse, segundo um comunicado.
O responsável da Unicef destacou que o impacto destas detenções "está documentado" nas crianças.
"Não são adultos pequenos, pelo que requerem cuidado especial. A privação de liberdade tem consequências permanentes para o seu desenvolvimento, mas também para o futuro da sociedade como um todo", sublinhou.
Por isso, defendeu que "as crianças privadas de liberdade devem ser tratadas com humanidade e dignidade, e devem poder manter contacto regular com as suas famílias".
"Estas são obrigações vinculativas ao abrigo do direito internacional e devem ser respeitadas em todos os momentos", frisou Edouard Beigbeder.
Teerão confirmou até agora a morte de mais de 3.000 pessoas, maioritariamente civis e membros das forças de segurança, nos protestos, que surgiram para denunciar a crise económica e o agravamento da qualidade de vida.
No entanto, ONGs como a Human Rights Activists, com sede nos Estados Unidos, elevaram o número de mortos para mais de 7.000, segundo o seu último balanço.