UNICEF quer novo medicamento contra a malária alargado a todo o território angolano
O representante do UNICEF em Angola, Mário Ferrari, defendeu hoje, em Luanda, a necessidade "urgente" de se alargar à rede sanitária periférica angolana o novo tratamento contra a malária, baseado numa terapia combinada com artesunate.
"Dada a resistência do agente causador da malária à cloroquina, o Ministério da Saúde já aprovou o Protocolo sobre a Malária, que regula a transição da cloroquina para a terapia combinada com artesunate, um novo medicamento contra o paludismo. É urgente implementar este protocolo ao nível da rede sanitária periférica", afirmou.
Mário Ferrari recordou que o programa +Fazer recuar o Paludismo+ recomenda que, pelo menos, 60 por cento das pessoas em risco, particularmente crianças menores de cinco anos, beneficiem de acesso à terapia anti-palúdica no prazo de 24 horas após o início dos sintomas.
O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude (UNICEF) falava na abertura do Encontro Nacional de Lançamento do Programa de Distribuição dos Mosquiteiros Tratados com Insecticida de Longa Duração.
Na sua intervenção, salientou a nova terapia contra a malária custa "cinco vezes mais que a cloroquina", lançando um apelo "aos empresários angolanos" para que participem nos esforços nacionais de aquisição do novo medicamento.
"O uso do novo medicamento é muito pertinente", afirmou, salientando que, numa altura em que as atenções estão voltadas para a epidemia de febre hemorrágica provocada pelo vírus de Marburg, "muitas crianças morrem silenciosamente de malária".
Os dados oficiais revelam que morrem por dia, em média, 40 crianças angolanas com menos de cinco anos devido à malária.
Por outro lado, as estatísticas oficiais indicam que, em média, cada trabalhador ou aluno angolano fica em casa entre 25 a 28 dias por ano por causa desta doença.
As deficientes condições de saneamento, que facilitam a multiplicação dos mosquitos transmissores da malária, são a principal causa do elevado número de casos registados no país.
"No contexto de Angola, em que a cobertura sanitária é limitada, pensamos que seria de toda a urgência fazer chegar ao nível da comunidade o tratamento da malária e de outras enfermidades que mais vidas vão ceifando", afirmou Mário Ferrari.
A malária é a principal causa de morte em Angola, onde se registam anualmente mais de três milhões de casos desta doença, que provocam cerca de 40 mil mortes por ano.
Uma das medidas de combate à doença é a promoção do uso de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração.
Na sequência de um financiamento do Fundo Global de Luta contra a SIDA, a Tuberculose e a Malária vão ser distribuídos em Angola, até 2006, cerca de 1,2 milhões de mosquiteiros desta nova geração.
Estes mosquiteiros vão ser distribuídos às populações que vivem nos 51 municípios do país com mais alta taxa de prevalência de malária, abrangendo principalmente famílias que vivem em áreas rurais.
Para definir a estratégia a seguir, começou hoje em Luanda o Encontro Nacional de Lançamento do Programa de Distribuição dos Mosquiteiros Tratados com Insecticida de Longa Duração, numa cerimónia em que participou o vice-ministro angolano da Saúde, José Van-Dúnem.
O coordenador do Sistema das Nações Unidas em Angola, Pierre- François Pirlot, e a representante da Organização Mundial de Saúde (OMS), Fatoumata Diallo, também estiveram presentes nesta cerimónia.