Universidade de Cabo Verde prepara cursos adaptados a cada região
A Universidade de Cabo Verde (UniCV) está a preparar cursos adaptados a cada região ou ilha, alinhados com estratégias de desenvolvimento, em parceira com municípios e outras entidades locais, disse à Lusa a reitora Astrigilda Silveira.
"Estamos a trabalhar em novas ofertas formativas à luz do desenvolvimento, do contexto de Cabo Verde e dos desafios que o mundo nos coloca", referiu em entrevista a propósito do início do ano letivo.
O plano inclui encontros com municípios, exemplificando com um caso: a Ilha do Fogo.
"Com o presidente da Câmara de São Filipe estivemos em Viseu e temos recursos já identificados que são necessidades [na ilha]. Nós temos de ter impacto territorial. Por exemplo, no Fogo, podemos desenvolver cursos de estudos superiores profissionalizantes, modulares ou de pós-graduação. Podemos trabalhar viticultura, fruticultura", entre outros "que fazem falta", apontou.
Referiu que não se trata de copiar e colar, mas sim de "elaborar os planos curriculares à luz dos desafios e do contexto de Cabo Verde. Isto está claro".
"Há a probabilidade de trabalharmos em parceria com a Câmara Municipal de São Filipe [na ilha do Fogo] para explorarmos o laboratório de vinho. Nós temos especialistas, porque é que os nossos produtores vão fazer os testes lá fora? A Universidade de Cabo Verde tem este papel", indicou.
Noutras ilhas, como São Vicente e a região do Barlavento cabo-verdiano, estão sinalizadas necessidades "em cinema, teatro, música" e já foram identificados "parceiros para implementar novas ofertas formativas, tanto a nível de graduação e pós-graduação".
O objetivo, disse a reitora, é que o arquipélago esteja coberto, pelo menos, em regime `online` ou complementar a formação presencial onde for possível.
"A Universidade de Cabo Verde tem que ter a capacidade de levar o ensino superior a todas as ilhas, aproveitando as tecnologias digitais", algo que não acontece agora, disse, mas que promete concretizar através do plano de transformação digital da instituição.
Um trabalho que se interliga com a revisão dos estatutos, em curso, e que vai ser levado ao conselho da universidade no final de novembro com vista à aprovação, acrescentou.
"Nós não gostaríamos de avaliar a UniCV apenas por um número num `ranking`. Eu penso que devemos preocupar-nos com a qualidade, com a permanência dos estudantes, o nível de empregabilidade e o impacto que eles têm no desenvolvimento do país", concluiu.