Universidade de Cambridge anuncia investigação independente após morte de Jason Arday

Universidade de Cambridge anuncia investigação independente após morte de Jason Arday

A Universidade de Cambridge anunciou hoje o início de uma investigação independente após a morte do professor britânico Jason Arday, que renunciou ao cargo na prestigiada instituição após uma campanha de ódio nas redes sociais por alegado plágio.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Royal Borough of Greenwich via Y / Reuters

"O conselho universitário tomou a decisão necessária de iniciar uma revisão independente que irá examinar a tomada de decisões e as ações da universidade, com foco na identificação de deficiências e áreas que necessitam de melhorias", anunciou a vice-reitora, Deborah Prentice, num vídeo.

Arday, que se tornou o professor negro mais novo de Cambridge em 2023, foi encontrado morto numa residência no sul de Londres, após ter sido alvo de um intenso escrutínio mediático, com semanas de manchetes que alegavam plágio no seu trabalho académico, além de investigações sobre feitos atléticos e angariações de fundos.

Prentice explicou que a primeira fase, que durará três meses, vai concentrar-se nas "intervenções e salvaguardas" existentes na universidade para casos como o de Arday, que abalou a comunidade académica britânica e europeia.

"A revisão levantará questões difíceis e fará recomendações sobre o que poderíamos ter feito melhor. Pedimos a Nazer Afzal, antigo procurador-chefe da coroa para o noroeste de Inglaterra e atual reitor da Universidade de Manchester, que lidere este trabalho", explicou.

A segunda parte envolverá uma revisão dos processos e práticas utilizados na universidade.

"Examinará o contexto mais amplo do período do professor Arday em Cambridge e abordará questões como o recrutamento, a mentoria e o apoio a docentes seniores, bem como a forma como respondemos a alegações de má conduta nas investigações", explicou.

Para esta segunda etapa serão também nomeados um auditor externo e um painel de peritos, que terão seis meses para preencher um relatório sobre estas questões.

"Assim que o relatório de cada fase da revisão for entregue, divulgaremos publicamente um resumo das conclusões, recomendações e medidas que iremos tomar", garantiu.

Prentice afirmou que "embora nada possa desfazer a perda" de Arday, esta investigação ajudará a "compreender melhor o que aconteceu" depois de o professor ter sido encontrado morto na sua casa em Battersea, no sul de Londres.

Arday, de 41 anos, demitiu-se do cargo de professor de Sociologia da Educação em Cambridge, após acusações de plágio. A sua nomeação como o professor negro mais jovem da história de Cambridge, aos 37 anos, em 2023, foi saudada na altura como um marco progressista.

Tanto ele como a sua família relataram que foi vítima de uma intensa campanha de assédio mediático depois de outro académico, Nathan Cofnas, ter revelado no seu blogue que uma parte significativa da sua tese de doutoramento continha excertos copiados de outros autores, após a submissão a um software de deteção de plágio.

Cofnas, identificado como um "realista racial" e norte-americano, publicou um ensaio no seu blogue no qual afirmava que, se a meritocracia prevalecesse, as pessoas negras "desapareceriam de quase todos os cargos de destaque fora do desporto e do entretenimento".

Em julho de 2024, o Emmanuel College, parte de Cambridge, expulsou-o, argumentando que os seus escritos entravam em conflito com os seus valores de diversidade.

Arday apontou para "motivações raciais" por detrás da campanha difamatória e afirmou que se tornou "alvo de críticas" pelas suas políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) dentro das universidades.

 

Tópicos
PUB