Universidade pública de Cabo Verde passa a ter propinas gratuitas e recebe mais alunos

Universidade pública de Cabo Verde passa a ter propinas gratuitas e recebe mais alunos

A Universidade de Cabo Verde (UniCV) passa este ano letivo a ter propinas gratuitas, numa medida tomada pelo Governo, eleito em maio, e a reitora espera que o número de alunos, que já superava os 4.000, continue a crescer.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Fernando de Pina - Lusa

"De 2024 para 2025, aumentámos [o número de] estudantes em 30%. Ainda não tínhamos a isenção de propinas, mas penso que, nesses dois anos [2024-2026] vamos aumentar os estudantes em 50%", referiu Astrigilda Silveira, em entrevista à Lusa, a propósito da abertura, hoje, do novo ano letivo.

"As matrículas vão até 10 de novembro e, até lá, teremos o número exato", acrescentou a dirigente, empossada em março e que pela primeira vez preside à abertura do ano letivo.

Considera que a gratuitidade é uma "excelente iniciativa do Governo", mas referiu que "a isenção de propinas, por si só, não resolve todos os problemas".

"Nós temos residências, alimentação, transporte, materiais educativos e apoio psicossocial aos nossos estudantes. Então, paralelamente, vamos ter de aliar esses outros requisitos que são preocupações da universidade para garantir a permanência dos estudantes", apontou.

O orçamento da UniCV cresceu de 1,2 para 1,8 mil milhões de escudos (de 10,8 para 16,3 milhões de euros) para acomodar a gratuitidade, entre outras medidas, disse Astrigilda Silveira, que quer diversificar as fontes de receita, por exemplo, através de prestação de serviços.

"A UniCV quer ser uma parceira estratégica do Estado sem perder a sua autonomia. Isso quer dizer que estamos a trabalhar no sentido de fazermos prestação de serviço ao Governo, às empresas, às associações, aos municípios", detalhou.

A reitora regressou na última semana de uma missão a Portugal, que incluiu encontros com instituições de ensino superior, com as quais reforçou a cooperação internacional, visando melhorar a qualidade da UniCV.

Um dos protocolos prevê a avaliação externa de cursos pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), exemplificou.

Segundo referiu, a gratuitidade traz uma obrigação acrescida de qualidade.

"Nós queremos acesso com democratização e isso exige a permanência do estudante, com sucesso", disse, incluindo a empregabilidade.

A esse nível, Astrigilda Silveira anunciou programas de mentoria, de inserção profissional e de desenvolvimento de talentos, através dos quais a universidade vai contratar anualmente 50 formandos: "vão ter formação da parte administrativa da UniCV e vamos melhorar os nossos serviços", concluiu.

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