Universidades britânicas dependem cada vez mais de estudantes chineses
Dois em cada cinco estudantes internacionais nas principais universidades do Reino Unido em 2024-2025 eram oriundos da China, revelou hoje uma análise do jornal britânico Financial Times, com base em dados oficiais.
Segundo os dados, havia quase 105 mil estudantes chineses inscritos nas instituições do grupo Russell - que reúne 24 universidades britânicas de topo, incluindo Oxford, Cambridge e Imperial College - representando 42,5% do total de estudantes estrangeiros nesse grupo.
Trata-se de uma proporção recorde e quase cinco vezes superior à registada no resto do setor universitário britânico, onde os estudantes chineses representam apenas 8,7% da população internacional.
A tendência levanta receios num contexto de crescente concorrência global pelo recrutamento de estudantes estrangeiros e de uma desaceleração no mercado de trabalho chinês para licenciados, fatores que poderão afetar a procura por diplomas britânicos.
As universidades estão sob pressão para diversificar as origens dos estudantes, especialmente depois da queda acentuada nas inscrições de cidadãos da Nigéria -- o terceiro maior mercado -- cujo número de novos estudantes caiu para metade entre 2022-2023 e 2024-2025, devido à crise cambial no país africano.
Apesar dessa pressão, várias instituições britânicas restringiram o recrutamento no Paquistão e no Bangladeche, em resposta a novas regras de vistos, optando por reforçar a aposta na China, país com taxas de conformidade mais elevadas.
O número global de novos estudantes internacionais caiu 5,4% no último ano letivo, o segundo recuo anual consecutivo desde o pico de 2022-2023. A queda foi registada nos três principais mercados - Índia, China e Nigéria - com o Paquistão como única exceção entre os quatro maiores, registando um aumento de 5%. O Nepal quase duplicou o número de estudantes no Reino Unido, atingindo 24.435.
A pressão financeira levou o Governo britânico a incentivar as instituições a expandir a presença internacional. No ano passado, nove universidades, incluindo Bristol e Southampton, receberam autorização para abrir polos na Índia.
Segundo os dados, o número total de estudantes a obter diplomas britânicos no estrangeiro subiu 7,9%, para 669.950. Desses, 45.790 estavam inscritos em polos internacionais de universidades do Reino Unido.
O Governo britânico reafirmou o seu apoio ao setor, declarando que pretende "restaurar as universidades como motores de oportunidade e crescimento" e que valoriza "fortemente" a contribuição dos estudantes internacionais.
Entretanto, os líderes universitários alertam que a proposta de introduzir uma taxa sobre estudantes estrangeiros, com entrada em vigor prevista para agosto de 2028, poderá comprometer a competitividade do setor.
Apesar da retórica de abertura, o Executivo do primeiro-ministro Keir Starmer retirou na semana passada a meta de recrutamento internacional, numa altura em que Londres procura simultaneamente conter a imigração.
O tema surge numa semana em que Starmer se encontra na China, numa visita destinada a reforçar laços bilaterais e atenuar tensões diplomáticas.