UNRWA pede que trégua entre Israel e hamas para se converta num cessar-fogo

O líder da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), Philippe Lazzarini, apelou hoje, a partir de Gaza, que a trégua humanitária de quatro dias acordada entre Israel e o Hamas se transforme num cessar-fogo.

Lusa /

"Já passou da hora para trazer ajuda humanitária irrestrita, incondicional e ininterrupta" a Gaza, escreveu Lazzarini no X (antigo Twitter) depois de visitar um dos poucos hospitais que ainda funcionam no enclave e de se reunir com funcionários de agências da ONU.

Israel e o grupo islamita Hamas chegaram a um acordo para a libertação de 50 pessoas mantidas como reféns na Faixa de Gaza em troca da libertação de 150 prisioneiros palestinianos, o que inclui a primeira trégua num mês e meio de guerra, que deverá entrar em vigor na quinta-feira e durará, no mínimo, quatro dias.

Lazzarini saudou a pausa humanitária e pediu que se "transforme num cessar-fogo".

Esta trégua humanitária, que pode ser prorrogada por no máximo dez dias, é um alívio para a população civil do enclave devastado, onde mais de 14 mil pessoas já morreram -- estima-se que outros 6.800 estejam mortos debaixo dos escombros -- pelos bombardeamentos israelitas; mas também para os familiares dos mais de 240 reféns que o Hamas e outras milícias mantêm na Faixa.

O comissário da UNRWA, que tem usado as suas redes sociais para denunciar a situação no terreno, também visitou um centro para pessoas deslocadas no sul de Gaza, gerido pela sua agência.

O responsável humanitário já havia denunciado na terça-feira, a partir do Cairo, que o acesso progressivo da ajuda humanitária à Faixa de Gaza está a ser utilizado como uma "arma de guerra" contra a população, que não dispõe dos recursos mínimos para sobreviver.

Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, celebrou hoje o acordo alcançado entre Israel e o Hamas para uma trégua humanitária, que inclui uma troca de prisioneiros, e anunciou que as Nações Unidas mobilizarão todas as suas capacidades para que seja aplicado com sucesso.

O acordo alcançado por Israel e pelo Hamas, mediado pelo Qatar e apoiado pelo Egito e pelos Estados Unidos, é "um passo importante na direção certa, mas ainda há muito a fazer para acabar com o sofrimento", disse Guterres em Santiago do Chile, antes de viajar esta noite para a Antártida.

"As Nações Unidas mobilizarão todas as suas capacidades para apoiar a implementação do acordo e maximizar o seu impacto positivo na dramática situação humanitária em Gaza", acrescentou.

Enquanto isso, a subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz da ONU, Rosemary DiCarlo, completou hoje a sua visita a Israel, ao Território Palestiniano Ocupado e à Jordânia, com a guerra em Gaza e os ataques de 07 de outubro no centro das suas discussões.

Entre domingo e segunda-feira, em Jerusalém e Telavive, DiCarlo reuniu-se com o Presidente israelita, Isaac Herzog, e outros altos funcionários do Governo, e encontrou-se com famílias de reféns detidos em Gaza.

Já na terça-feira, em Ramallah, uma cidade no centro da Cisjordânia, manteve conversações com o primeiro-ministro palestiniano, Mohammad Shtayyeh, e outros líderes da Palestina, tendo-se ainda reunido com a liderança do Crescente Vermelho Palestiniano, segundo a ONU.

A subsecretária-geral, que concluiu hoje a sua deslocação com reuniões em Amã, capital da Jordânia, saudou o recente acordo para a libertação de reféns e uma pausa humanitária, mas disse que muito mais precisa ser feito.

"Ao longo da sua visita, a subsecretária-geral DiCarlo (...) reiterou as três prioridades do secretário-geral: alcançar um cessar-fogo humanitário e melhorar o acesso humanitário na Faixa; a libertação imediata e incondicional de todos os reféns; e prevenir a escalada ou expansão do conflito", indicou a ONU em comunicado.

DiCarlo "também ouviu as opiniões dos seus interlocutores sobre o fim do conflito" e enfatizou "a necessidade absoluta de todos se comprometerem com um horizonte político através de uma solução de dois Estados que permita aos israelitas e aos palestinianos viver em paz, segurança e dignidade", conclui a nota.

Os encontros de DiCarlo com autoridades israelitas dão-se num momento de fortes tensões entre a ONU e Israel, com Telavive a rejeitar o posicionamento crítico das Nações Unidas face aos seus ataques em Gaza.

O Governo israelita chegou mesmo a pedir a demissão de António Guterres da liderança da ONU após ter dito que os ataques do Hamas "não aconteceram do nada".

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