Urnas translúcidas causam receios de transparência no Zimbabué

As urnas de voto para as eleições legislativas de quinta-feira no Zimbabué são novas e foram fabricadas na China, mas a opinião divide-se sobre se serão translúcidas, como deveriam, ou transparentes, permitindo identificar o sentido do voto.

Agência LUSA /

A opção por urnas translúcidas resultou de várias inovações eleitorais ao abrigo de nova legislação e prometia impedir a velha "chapelada" de encher as urnas ainda antes de as mesas de voto abrirem.

No entanto, têm surgido acusações de que o translúcido da caixa foi aumentado para um quase transparente e, num país onde domina a suspeita, logo houve quem denunciasse a possibilidade de o sentido do voto ser controlado do exterior.

As acusações não tiveram apenas eco nas zonas rurais, que formam a grande base do Zimbabué, mas chegaram mesmo à primeira página do The Zimbabwean, um semanário da oposição editado em Londres.

"O teu voto é secreto - mas com as novas urnas translúcidas (que não são translúcidas, como nos disseram, mas virtualmente transparentes) deves dobrar duplamente o boletim, porque, se ele abrir quando o deitas na caixa, continuará fechado e ninguém poderá ver onde votaste", aconselha o jornal, num "importante aviso" na sua capa.

As autoridades eleitorais apresentaram as urnas durante a campanha e um diplomata europeu disse à Lusa ser "impossível" perceber o que está escrito nos boletins entrados nas caixas, dando a sua textura translúcida a garantia de que está vazia antes do início da votação.

Para as eleições legislativas de quinta-feira foi duplicado o número de mesas de voto, nas quais passará a haver três filas de eleitores ordenados segundo os seus nomes.

As urnas, translúcidas ou não, abrem às 07:00 locais (06:00 em Lisboa) e pelas 19:00 um elemento da mesa identifica a última pessoa da fila, não sendo permitida a votação dos que chegarem depois.

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