Vaga de atentados varre o território e provoca dezenas de mortos

Trinta e duas pessoas perderam a vida e mais de cem ficaram feridas em atentados coordenados do ramo da al Qaida do Iraque, esta segunda-feira, num claro aviso às autoridades afegãs e internacionais: o de que podem atacar em qualquer lugar, apesar de eventuais barreiras em torno de Bagdade e da decapitação do movimento.

RTP /
Os iraquianos aprendem a conviver com o terror que todos os dias causa vítimas S. Sabawoon, EPA

Em Souwayra, sessenta quilómetros a sul da capital, um engenho explosivo, que armadilhava uma viatura, detonou num mercado e perto de uma mesquita dos chiitas. Oito mortos e trinta feridos é o balanço final do atentado.

Noutra cidade a cinquenta quilómetros de Bagdade, Iskandariya, a explosão de uma bomba num mercado de futuros provocou dois mortos.

Bagdade e os arredores foi sacudido por uma vaga de atentados aparentemente coordenados levados a cabo por combatentes armados com armas automáticas e por ataques bombistas que tiveram como alvo essencialmente os checkpoint do exército e da polícia. O número de vítimas mortais elevou-se a dezasseis de acordo com fontes da polícia e do Ministério do Interior.

Em Tarmiya, um subúrbio do norte de Bagdade, um carro armadilhado, que visava um oficial da polícia, foi detonado e matou três pessoas, ferindo outras 16.

Em Mossul, cidade do norte do Iraque, um checkpoint das forças políciais foi o alvo escolhido pelos combatentes talibã para levarem a cabo um ataque. Um bombista-suícida fez-se explodir provocando a morte a duas pessoas, enquanto em Fallujah dez polícias ficaram feridos após a explosão de bombas colocadas no exterior das suas residências.

Isolar Bagdade dos combatentes anti-governamentais

A vaga lançada pelos Talibã surge aparentemente como resposta a um plano anunciado pelo ministro da Defesa afegão de criar uma "barreira de defesa" em torno de Bagdade, como forma de reduzir substancialmente a violência e de controlar os movimentos dos combatentes anti-governamentais.

A barreira em torno da capital com oito checkpoints a darem acesso a Bagdade poderá estar concluida em 2011.

Apesar de a violência ter decrescido desde 2006 e 2007 - ano em que a violência atingiu o seu age - as ondas de ataques aumentaram nos últimos meses, razão que leva o governo a equacionar várias hipóteses para os evitar e mesmo reduzir.

As eleições de Março não contribuíram para o aumento da estabilidade ao não darem um vencedor claro e folgado. A necessidade de formação de coligações para formar Governo adensa a atmosfera de instabilidade no território.

Manter a capacidade de atacar mesmo depois de ter sido decapitado

Questão preocupante no recrudescimento da violência no Iraque é a eventual capacidade da "al Qaida" levar a cabo acções coordenadas, apesar de decapitada pelas recentes prisões de vários líderes e altos dirigentes do seu ramo no Iraque.

Esta capacidade demonstrada pelos combatentes anti-governamentais, alegadamente pertencentes à al Qaida iraquiana, de lançar estes ataques coordenados apesar da prisão dos mais importantes membros da sua super-estrutura é causa de preocupação das autoridades do país, que julgariam ter dado uma machadada importante na capacidade operacional do movimento anti-governamental.

Tudo leva a crer que os Talibã e o ramo iraquiano da al Qaida terão mecanismos que lhes permitem continuar, e até incrementar, os seus ataques às autoridades civis e militares do Iraque independentemente da prisão dos seus quadros dirigentes.

"Certamente as autoridades previram uma folga depois disso (a prisão dos líderes da al Qaida), mas vimos recentemente um número crescente de ataques que são muito sérios não só pelo número de mortos mas também pelo sentido de coordenação" explica Mike Hanna repórter da Al Jazeera.

"Seria uma resposta muito forte, se realmente o grupo da al Qaeda (que está por detrás dos ataques de domingo) apesar da sua liderança ter desaparecido, puderem ainda ser capazes de levar a cabo este tipo de ataques", acrescentou.

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