Vaga de calor. Poeiras do Sahara cobrem parte da Europa

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Poeira do Sahara no ar - outubro 2017
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Não é bem uma tempestade de areia, como se vê nos filmes, mas é verificável para o automobilista comum, na França ou na Alemanha, quando encontra o seu carro coberto de uma poeira especial. Essa poeira, trouxeram-na os ventos e vem do deserto magrebino. A boa notícia é que tem contribuído para atenuar a vaga de calor.

Para além da observação empírica, acessível à vista desarmada e especialmente preocupante para os automobilistas preocupados com a pintura do seu veículo novo, há também a observação científica, por exemplo do Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS), do Centro Europeu para Pevisões Meteorológicas de médio prazo, sediado em Reading, no Reino Unido.

Aí se se emitiu a previsão de que as areias do maior deserto do mundo continuarão, nos próximos dias, a ser transportadas pelo vento e a sobrevoar, com ele, as águas do Mediterrâneo. A França é o país mais afectado e, depois dela, a Alemanha.

O invulgar fenómeno explica-se pela conjunção duma área de baixa pressão atmosférica no Atlântico, denominada "Nasir", com uma de alta pressão no Mar Báltico, denominada "Ulla". A diferença de pressão "puxa" o ar do Sahara para o norte da Europa e traz, com esse vento, as poeiras saharianas.

A perplexidade dos povos europeus diante da poeira sahariana será de relativizar, se tivermos em conta que, segundo os mesmos institutos científicos, todos os anos as poeiras daquele deserto são transportadas para muito longe, atravesam mares tão diversos como o Mediterrâneo e o Atlântico e atingem regiões tão distantes como a Amazónia ou o Caribe, onde são consideradas um fertilizante do solo. Calcula-se em 500 milhões de toneladas a quantidade de areias do Sahara que todos os anos vão parar aos quatro cantos do mundo.

A Alemanha, menos atingida pelos ventos saharianos do que a França, não o é menos pela vaga de calor: ontem à tarde registavam-se em Coschen, junto à fronteira germano-polaca, 38,6 graus Celsius - temperatura só inferior ao máximo histórico de 40,3, registado há quatro anos em Kitzingen.

E, se esse indesejável record não foi atingido desta vez, ou não o foi por enquanto, isso deve-se em parte ao efeito moderador que, nomeadamente segundo o Instituto para a Investigação da Troposfera, em Leipzig, as poeiras do Sahara têm exercido sobre a vaga de calor.


O Instituto de Leipzig anunciou ontem à tarde no Twitter que, recorrendo a um aparelho de medição com raios laser, detectara partículas provenientes do Sahara numa faixa entre dois e cinco quilómetros acima do solo. Também uma estação de medições em Jungfraujoch, na Suíça, fez idêntica constatação na noite de ontem.

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