Vance terá momento de destaque na convenção republicana mas última palavra é de Trump
Os republicanos deram hoje início ao último dia da inédita convenção intercalar em Dallas, onde o vice-presidente, JD Vance, estará em destaque com o discurso principal da noite, mas a última palavra ainda pertencerá a Donald Trump.
Consciente de que a história e as sondagens não estão a seu favor nesta temporada eleitoral, o Comité Nacional Republicano está a apostar fortemente no Presidente e no vice-presidente dos Estados Unidos para impulsionar os eleitores a sair de casa e votarem no próximo dia 03 de novembro, de forma a protegerem as suas maiorias na Câmara dos Representantes e no Senado.
A preparar terreno para uma era pós-Trump, JD Vance assumirá o protagonismo desta segunda e última noite da convenção com um discurso em horário nobre.
Vance não confirmou se concorrerá à Casa Branca e Trump ainda não nomeou um sucessor.
No entanto, e após um discurso de quase duas horas na primeira noite do evento, ainda pertencerá ao veterano Donald Trump a última palavra, na qual se espera que dê um impulso final à sua base eleitoral.
Com o objetivo de angariar eleitores, Donald Trump causou polémica na quarta-feira ao lançar a promessa de enviar 5.000 dólares (cerca de 4.300 euros) a cada cidadão, caso os republicanos mantenham a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, sem dar mais detalhes sobre a medida.
Foi rapidamente acusado pela oposição democrata de "suborno eleitoral desesperado".
A organização do evento indicou hoje que 20.000 pessoas compareceram no primeiro dia da convenção -- número próximo à capacidade máxima da arena do `American Airlines Center`.
Contudo, tal como na quarta-feira, várias secções superiores da arena estavam praticamente vazias no arranque do raro evento político.
Já os milhares de eleitores presentes não escondem o entusiasmo, especialmente quando Donald Trump é enaltecido em palco e os democratas criticados.
Num discurso que, pela primeira vez na convenção, esteve focado no Islão, o senador republicano Ted Cruz afirmou: «A lei da sharia não tem lugar na América», sendo amplamente aplaudido pelo público após referir-se à interpretação rigorosa da lei islâmica que aplica restrições severas às mulheres e raparigas.
Cruz mencionou ainda Zohran Mamdani, o primeiro autarca muçulmano de Nova Iorque, e alertou que «estamos a testemunhar uma nova e perigosa aliança vermelha-verde: comunistas e islamitas a unirem-se e a dominar o Partido Democrata".
No evento de hoje, haverá lugar para várias homenagens, como ao ativista e aliado de Donald Trump Charlie Kirk, assassinado há precisamente um ano no Utah, e às vítimas dos atentados do 11 de setembro de 2001.
Fora da arena, vários manifestantes percorreram as ruas de Dallas perto do local da convenção, em protesto contra o Governo de Donald Trump.
De acordo com o jornal New York Times, a polícia de Dallas deteve pelo menos duas pessoas no local.
Um porta-voz do Departamento de Polícia de Dallas disse mais tarde que dois manifestantes foram detidos após agredirem um contra manifestante e bloquearem uma rua.
Tradicionalmente, as Convenções Nacionais dos dois grandes partidos norte-americanos (Republicano e Democrata) realizam-se apenas a cada quatro anos, especificamente nos meses de verão que antecedem as eleições presidenciais, o que torna este evento republicano inédito.
Normalmente, as convenções servem para os delegados partidários votarem formalmente no candidato à Casa Branca e aprovarem a plataforma oficial do partido.
Contudo, a convenção de Dallas não terá qualquer votação nem nomeação, servindo como uma montra para os candidatos republicanos que disputam eleições acirradas para o Congresso.
As eleições intercalares agendadas para 03 de novembro irão renovar a totalidade da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano) e um terço do Senado.
Se os democratas recuperarem o controlo de uma das câmaras legislativas, terão o poder de bloquear a agenda de Trump e iniciar investigações à sua administração durante os dois anos que faltam do seu mandato.