Vaticano condena racismo contra comunidade cigana
O Vaticano condenou hoje o racismo contra ciganos, considerando que este os tem privado de necessidades básicas como o trabalho e a escola um pouco por todo o mundo, noticiou a agência de notícias católica Ecclesia.
A posição foi manifestada no I Encontro Mundial de Sacerdotes, Diáconos, Religiosos e Religiosas Ciganos, promovido pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, que decorre até terça-feira, em Roma.
Portugal não esteve presente no encontro, uma vez que não tem padres e freiras católicos de origem cigana, contrariamente a Espanha ou França, explicou à Agência Lusa o director-executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, Francisco Monteiro.
O subsecretário do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, D. Novatus Rugambwa, sustentou que a sociedade contemporânea "ainda está cheia de preconceitos que marginalizam muitos jovens e adultos que não encontram trabalho, ainda que tenham formação profissional, por serem ciganos".
O responsável advogou ainda ser "uma vergonha" que "os acampamentos dos ciganos estejam privados do necessário", criticando a indiferença relativa à escolarização das crianças - cerca de quatro milhões na Europa em idade escolar.
De acordo com o Vaticano, há cerca de uma centena de religiosos ciganos na Igreja Católica, sendo a Índia o país com maior número de padres - 20.
Em Abril, a Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia havia alertado que a comunidade cigana era, entre todos os grupos étnicos dos 27 Estados-membros, a minoria "mais vulnerável à discriminação", sendo esta "persistente na Educação e nos serviços públicos de Saúde".
Em Portugal, segundo a página oficial na Internet da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, existem cerca de 40 mil ciganos, dos quais "alguns milhares" são católicos. A maioria dos ciganos religiosos professa, no entanto, a Igreja Evangélica Filadélfia.
"Há menos ciganos católicos em Portugal do que, por exemplo, em Espanha ou França, pelo que, automaticamente, há menos abertura para o sacerdócio", concluiu o director-executivo da Pastoral dos Ciganos, Francisco Monteiro.