Vaticano critica projecto de lei sobre imigração
O Conselho Pontifício da Pastoral para os Emigrantes criticou duramente o projecto de lei francês sobre controlo da imigração, que visa "enquadrar" melhor o reagrupamento familiar, e o conceito de "imigração escolhida".
Numa entrevista concedida hoje à agência Imedia, o secretário do conselho pontifício da Igreja católica, monsenhor Agostino Marchetto, recordando a importância que o Vaticano atribui à reunião das famílias, admite que "compete ao Estado saber se se trata realmente de reagrupamento familiar".
Contudo, adverte, "há que não entravar sistematicamente a reunião das verdadeiras famílias".
O projecto de lei sobre o "controlo da imigração", que endurece as condições de reagrupamento familiar, deve ser examinado terça-feira pelos deputados franceses.
O responsável pelo conselho pontifício critica também o conceito de "imigração escolhida" preconizado pelo governo francês.
"Quanto a favorecer a imigração profissional e as competências, isso é contrário ao simples direito à emigração. Esta discriminação coloca problemas. Ao escolher apenas alguns candidatos, ao praticar este tipo de exclusão, não se tem em conta o bem comum universal", sublinhou.
"É claro que se deve olhar o bem da França, mas há que saber abrir-se à universalidade das necessidades e à realidade dos que procuram algo de justo, mesmo que não sejam qualificados", acrescentou.
Considerando que "a questão da integração é fundamental", reputa como "importante que os imigrantes conheçam a língua e a identidade de um país". Mas, acrescenta, "`integração` não significa `assimilação`, o que é cada vez mais a tendência da França".
Também a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) criticou hoje o projecto de lei francês, considerando que "deve melhorar as salvaguardas" dos candidatos à imigração em risco de perseguição ou tortura nos seus países.