Mundo
Venda de tanques alemães à ditadura saudita desencadeia polémica
"Como é que Angela Merkel vai explicar aos seus eleitores que ela quer equipar com os tanques de guerra mais modernos do mundo um país em que as mulheres estão proibidas de conduzir?"- tal é a pergunta lançada por Jakob Augstein à chanceler. A polémica é alimentada pelos números da compra de tanques alemães pela Arábia Saudita em 2011 e pelo conhecimento das encomendas para novas compras em 2012.
O semanário Der Spiegel dedicou a sua capa aos negócios de armamento protagonizados pela indústria alemã e Jakob Augstein, no site do mesmo Der Spiegel, interpelava esta segunda-feira a chanceler alemã, com cifras eloquentes e com várias considerações embaraçosas.
Entre as considerações embaraçosas de Augstein está a justificação que ele apresenta para a hostilidade da opinião pública alemã ao negócio do armamento: "Quem goza de uma moral mais ou menos sã não quer ganhar dinheiro com a morte de outras pessoas. Porque é isso que significa construir um bom tanque: que ele consegue matar bem".
As cifras reveladoras são as da evolução das vendas de armamento alemão para fora dos países da NATO e da União Europeia: saltaram de 29 por cento para 42 por cento do total. Responsáveis por este aumento são as vendas para países com regimes ditatoriais. O Stockholm International Peace Research Institute relaciona as vendas de armas com os preparativos de uma incrementada repressão desses regimes contra, nomeadamente, o movimento desencadeado com as "primaveras árabes".
Membros do Conselho Federal de Segurança
Chanceler federal
Chefe da chancelaria federal
Ministro dosNegócios Estrangeiros
Ministro da Defesa
Ministro das Finanças
Ministro do Interior
Ministro da Justiça
Ministro da Economia
Ministro da Ajuda ao DesenvolvimentoO caso saudita é, precisamente, um dos mais emblemáticos. Em 2011, a Arábia Saudita comprou à Alemanha 270 tanques do modelo Leopard-2. Essa venda não é apenas um negócio privado da indústria, e sim uma operação polític a obrigatoriadmente autorizada pelo petit comité do Governo que dá pelo nome de Conselho Federal de Segurança. Merkel tem portanto uma responsabilidade directa na decisão de vender material sensível a regimes pouco recomendáveis.
Não contente com a venda levada a cabo no ano passado, o Governo alemão prepara-se para voltar a autorizar um negócio semelhante. Foi no decurso do corrente ano de 2012 que a Arábia Saudita voltou a manifestar oficialmente interesse na compra de tanques de guerra do modelo Boxer - várias centenas, segundo a edição de hoje do diário Süddeutsche Zeitung. Outros negócios semelhantes, embora de dimensão inferior, têm vindo a realizar-se com o Qatar e com os Emiratos Árabes Unidos.
Para além disto, é preciso tomar em conta que a subida em flecha das vendas de armamento fora da NATO não diz tudo sobre os negócios objectáveis neste ramo. Também alguns deles, levados a cabo com parceiros da NATO, suscitam controvérsia. Exemplos mais conhecidos são as vendas de tanques à Turquia, que os utiliza na repressão da revolta curda.
Exportações para parceiros da NATO
(2009-2011, em milhões de euros)
Estados Unidos - 1902
Reino Unido - 1223
Holanda - 1166
Portugal - 812
Itália - 556
Também entre os aliados tradicionais da Alemanha, suscitou recentemente controvérsia a venda a Israel de submarinos aptos a serem equipados com ogivas nucleares. Por outros motivos, relacionados com acusações de corrupção, levantaram celeuma as vendas de submarinos a Portugal e à Grécia.
Entre as considerações embaraçosas de Augstein está a justificação que ele apresenta para a hostilidade da opinião pública alemã ao negócio do armamento: "Quem goza de uma moral mais ou menos sã não quer ganhar dinheiro com a morte de outras pessoas. Porque é isso que significa construir um bom tanque: que ele consegue matar bem".
As cifras reveladoras são as da evolução das vendas de armamento alemão para fora dos países da NATO e da União Europeia: saltaram de 29 por cento para 42 por cento do total. Responsáveis por este aumento são as vendas para países com regimes ditatoriais. O Stockholm International Peace Research Institute relaciona as vendas de armas com os preparativos de uma incrementada repressão desses regimes contra, nomeadamente, o movimento desencadeado com as "primaveras árabes".
Membros do Conselho Federal de Segurança
Chanceler federal
Chefe da chancelaria federal
Ministro dosNegócios Estrangeiros
Ministro da Defesa
Ministro das Finanças
Ministro do Interior
Ministro da Justiça
Ministro da Economia
Ministro da Ajuda ao DesenvolvimentoO caso saudita é, precisamente, um dos mais emblemáticos. Em 2011, a Arábia Saudita comprou à Alemanha 270 tanques do modelo Leopard-2. Essa venda não é apenas um negócio privado da indústria, e sim uma operação polític a obrigatoriadmente autorizada pelo petit comité do Governo que dá pelo nome de Conselho Federal de Segurança. Merkel tem portanto uma responsabilidade directa na decisão de vender material sensível a regimes pouco recomendáveis.
Não contente com a venda levada a cabo no ano passado, o Governo alemão prepara-se para voltar a autorizar um negócio semelhante. Foi no decurso do corrente ano de 2012 que a Arábia Saudita voltou a manifestar oficialmente interesse na compra de tanques de guerra do modelo Boxer - várias centenas, segundo a edição de hoje do diário Süddeutsche Zeitung. Outros negócios semelhantes, embora de dimensão inferior, têm vindo a realizar-se com o Qatar e com os Emiratos Árabes Unidos.
Para além disto, é preciso tomar em conta que a subida em flecha das vendas de armamento fora da NATO não diz tudo sobre os negócios objectáveis neste ramo. Também alguns deles, levados a cabo com parceiros da NATO, suscitam controvérsia. Exemplos mais conhecidos são as vendas de tanques à Turquia, que os utiliza na repressão da revolta curda.
Exportações para parceiros da NATO
(2009-2011, em milhões de euros)
Estados Unidos - 1902
Reino Unido - 1223
Holanda - 1166
Portugal - 812
Itália - 556
Também entre os aliados tradicionais da Alemanha, suscitou recentemente controvérsia a venda a Israel de submarinos aptos a serem equipados com ogivas nucleares. Por outros motivos, relacionados com acusações de corrupção, levantaram celeuma as vendas de submarinos a Portugal e à Grécia.