Vendas de joias em Hong Kong disparam 22% com procura de ativos seguros

Vendas de joias em Hong Kong disparam 22% com procura de ativos seguros

As vendas de joias e relógios em Hong Kong aumentaram 22% nos primeiros nove meses do ano, impulsionadas pela procura de ouro e pedras preciosas por chineses abastados, perante o reforço da fiscalização de investimentos no estrangeiro.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Tyrone Sue - Reuters

Segundo dados oficiais citados pela agência Bloomberg, as vendas de joias, relógios e artigos de luxo atingiram 45.800 milhões de dólares de Hong Kong (5.100 milhões de euros), o valor mais elevado desde 2019.

O crescimento superou largamente o do comércio a retalho em geral, com o setor a representar cerca de 15% das vendas totais do território.

As vendas de joalharia mantiveram um crescimento de dois dígitos no último trimestre, apesar de as despesas com bens de luxo terem recuado mais de 10% na China continental.

A evolução reflete uma mudança nas prioridades dos consumidores chineses mais ricos, que procuram preservar o património perante o reforço da fiscalização fiscal de ativos detidos no estrangeiro e as restrições à saída de capitais impostas por Pequim.

O ouro e as pedras preciosas ganharam atratividade como reserva de valor, numa altura em que a crise prolongada do setor imobiliário chinês continua a afetar o património das famílias e a recuperação das bolsas perdeu força.

"As pessoas estão cada vez mais interessadas em procurar segurança, porque estão preocupadas com as recentes alterações da política fiscal", afirmou Manna Wang, agente de seguros em Hong Kong, citada pela Bloomberg.

"Querem ter a certeza absoluta de que o seu património não sofrerá grandes alterações no futuro. Os rendimentos elevados já não são a prioridade", acrescentou.

Nos últimos meses, as autoridades chinesas restringiram as entradas em bolsa de empresas continentais em Hong Kong, reforçaram o controlo sobre a negociação de ações no estrangeiro e intensificaram a fiscalização de fundos fiduciários e produtos de seguros internacionais.

Segundo Wang, clientes que anteriormente procuravam seguros com rendimentos elevados passaram a pedir-lhe aconselhamento para comprar joias de ouro, com despesas que chegam aos 15.000 dólares (13.300 euros) por pessoa.

A valorização da moeda chinesa, o yuan, e o regime fiscal de Hong Kong, que não aplica impostos sobre as vendas, também contribuíram para aumentar a procura.

Os preços das joias podem ser mais de 5% inferiores aos praticados na China continental, segundo a agente.

A subida do preço internacional do ouro, que atingiu máximos históricos este ano, também contribuiu para o aumento do valor das vendas, explicou Alexis Bonhomme, diretor executivo da consultora de luxo Trinity Asia.

Contudo, a procura manteve-se elevada mesmo após a recente descida das cotações do metal precioso.

A procura levou várias marcas internacionais a expandirem a presença em Hong Kong, incluindo a fabricante suíça de relógios Audemars Piguet, a joalheira italiana FOPE e as marcas Tiffany & Co. e Van Cleef & Arpels.

"As joias de luxo e o ouro oferecem segurança e durabilidade", afirmou Bonhomme.

"Os clientes mais ricos estão a dar prioridade a artigos com valor intrínseco e duradouro. Reduzem as compras de moda sazonal no mercado doméstico, mas, quando viajam, estão dispostos a investir quantias significativas em joias e ouro como ativos tangíveis", acrescentou.

 

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