Venezuela. Balanço ultrapassa os 6.500 mortos dois meses após sismos
O número de mortos devido aos sismos que atingiram a Venezuela há dois meses ultrapassou 6.500, segundo o mais recente balanço oficial, mais 71 mortes em comparação com o relatório da semana passada.
O presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, membro do partido no poder, indicou na segunda-feira que pelo menos 6.509 pessoas morreram na sequência do duplo sismo de 24 de junho.
O líder da Assembleia Nacional venezuelana, que é também irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, acrescentou que os hospitais do país trataram 226.696 pessoas, mais 140.338 do que o número reportado a 17 de agosto.
Pelo menos 190 edifícios desabaram e as autoridades inspecionaram 60.785 habitações, das quais 11.001 foram consideradas de "alto risco" e cerca de 25.240 casas estão inabitáveis, tendo já sido removidas 600.790 toneladas de escombros, acrescentou Jorge Rodríguez.
Milhares de residentes estão a viver em acampamentos temporários, muitas vezes em condições precárias e à mercê das chuvas torrenciais que têm atingido a região nas últimas semanas.
Delcy Rodríguez prometeu habitação para os afetados. Até à data, foram disponibilizadas 335 unidades, das quatro mil prometidas até ao final do ano.
As autoridades ainda não divulgaram números sobre pessoas desaparecidas, enquanto as buscas por corpos continuam na região mais afetada, o estado costeiro de La Guaira, no norte do país, junto a Caracas.
Em 04 de agosto, o governador de La Guaira, Alejandro Terán, disse à Rádio Caracol que os familiares das vítimas no estado reportaram cerca de 1.579 pessoas desaparecidas.
Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O Banco Mundial estimou em 19,6 mil milhões de dólares (16,9 mil milhões de euros) a destruição material casada pelos terramotos.
Entretanto, a ajuda internacional diminuiu, disseram na segunda-feira à agência de notícias EFE representantes de várias organizações não governamentais.
A presidente da Associação de Solidariedade Basco-Equatoriana em Espanha, Aurora Pretel, indicou que as maiores necessidades encontradas estão relacionadas com água, higiene e material médico.
No domingo, o coordenador residente interino da ONU na Venezuela, Álvaro Rodríguez, pediu a Portugal e aos portugueses radicados na Venezuela para criarem meios de subsistência para ajudar os venezuelanos a recuperar do duplo sismo.
Também no domingo, o Governo Regional da Madeira rejeitou as críticas do Juntos Pelo Povo relativas à alegada falta de apoio à comunidade madeirense afetada pelos sismos na Venezuela, assegurando que continua a trabalhar para enviar as verbas prometidas e cumprindo a lei.