Venezuela. Bolsonaro promete a Guaidó "esforços" por democracia

Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela, foi recebido esta quinta-feira em Brasília pelo Presidente Jair Bolsonaro, a quem agradeceu a ajuda na recente crise política e humanitária venezuelana.

Graça Andrade Ramos - RTP /
O entendimento entre Jair Bolsonaro e Juan Guaidó em Brasília Ueslei Marcelino - Reuters

Garantiu também que o Brasil vai poder contar com uma "Venezuela próspera", de forma a recuperarem as relações económicas entre os dois países.

Bolsonaro respondeu com garantias de que fará todos os "esforços" para restabelecer a democracia na Venezuela.

"Nós não pouparemos esforços dentro, obviamente, da legalidade, da nossa Constituição e das nossas tradições, para que a democracia seja restabelecida na Venezuela. E todos nós sabemos que isso será possível através, não apenas de eleições, mas de eleições limpas e confiáveis", afirmou.
300 mil em risco de morte
Tal como o Brasil, a maioria dos países da União Europeia, incluindo Portugal, apoia Guaidó, reconhecendo-o como presidente interino e responsável pela organização de eleições livres e transparentes.

Esse é um dos objetivos declarados do presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição venezuelana. Juan Guaidó quer ainda socorrer as 300 mil pessoas em risco de morte que, afirma, existem na Venezuela.

Guaidó lembrou esta quinta-feira que esses venezuelanos não puderam ainda contar com a entrega da ajuda humanitária internacional ao país e acusou Maduro de intransigência, também em relação a qualquer negociação que pacifique o país.

"Estamos a tentar negociar há cinco anos. Eleições livres são uma exigência do povo venezuelano. Não pode haver presos políticos. Temos quatro milhões de venezuelanos no exterior que não podem votar. Não há uma auditoria do processo", afirmou, na conferência de imprensa em Brasília, ao lado de Jair Bolsonaro.
Missão impossível
Guaidó afirma também que, sob Maduro, a Venezuela se tornou um local de passagem do narcotráfico por parte da guerrilha colombiana Exercito de Libertação Nacional, ELN. "A participação do Brasil será importante. Há muitas informações que podemos partilhar na luta anticorrupção", declarou.

O líder da oposição venezuelana deverá ainda contar com o apoio do Brasil na tentativa de regressar ao país, anunciada para a próxima segunda-feira.

Juan Guaidó desafiou a proibição de se ausentar do país emitida pelo Supremo Tribunal venezuelano e atravessou a fronteira para a Colômbia no sábado passado.

O seu objetivo era regressar à boleia da ajuda humanitária. que procurava fazer entrar no país. A operação fracassou e Guaidó viu-se no exílio, sob ameaça de represálias judiciais se regressasse à Venezuela.
Um Presidente, dois presidentes
A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Um mês depois, Guaidó, de 35 anos, foi incapaz de manter a sua maior promessa, a de fazer entrar na Venezuela a ajuda humanitária enviada pela comunidade internacional. Os seus apelos às Forças Armadas venezuelanas, para que deixassem de apoiar Maduro, convenceram, até agora, menos de 100 militares.

Nicolás Maduro, de 56 anos, no poder desde 2013, tem rejeitado o desafio de Guaidó de deixar entrar a ajuda humanitária, denunciando planos obscuros de intervenção por parte dos Estados Unidos e a iniciativa de Guaidó como uma tentativa de golpe de Estado.

A repressão dos protestos anti-Maduro desde 23 de janeiro já fez uma dezena de mortos e várias centenas de feridos, afirmam várias organizações não-governamentais.
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