Venezuela. Caracas prevê que ventos de câmbio na América Latina vão chegar à Europa e aos EUA

O presidente da Assembleia Constituinte (AC) venezuelana, Diosdado Cabello, vaticinou hoje que os "ventos de câmbio" que sopram pela América Latina e têm motivado protestos em vários países vão chegar também à Europa e aos Estados Unidos.

Lusa /

"Esses ventos que sopram na América do Sul vão chegar, inevitavelmente, à Europa e aos Estados Unidos", sustentou.

Diosdado Cabello (que é tido como o segundo homem mais forte do chavismo, depois de Nicolás Maduro) falava em Caracas, durante uma conferência de imprensa do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo).

"Vimos o que aconteceu nos últimos dias na Argentina. Temos um novo Presidente, onde se sente a `brisa` de (Juan Domingo) Perón e Néstor Kirchner (falecidos ex-Presidentes argentinos). Um povo que saiu a mudar o destino desse país", disse fazendo alusão à vitória, no domingo, de Alberto Fernández.

Por outro lado, disse que no Chile "continua a marcha da indignidade" e explicou que "na quarta-feira haverá uma grande greve nacional, o acordar dos povos".

Segundo Diosdado Cabello, "o povo chileno está a exigir uma Assembleia Constituinte, com educação gratuita e pensões que estejam ao mesmo nível que o salário mínimo".

"Essa realidade é a que possui a Venezuela", disse, sem referir que o salário mínimo dos venezuelanos é de 150 mil bolívares soberanos (BsS), que equivalem a 6,24 euros à taxa de câmbio oficial e que, por exemplo, um litro de leite ronda os 40 mil BsS (1,66 euros).

O presidente da AC (composta unicamente por simpatizantes do regime) anunciou que a 29, 30 e 31 de outubro terá lugar em Caracas o I Congresso Internacional dos Povos Originários, no qual participarão representantes de 20 países.

A realização do congresso, disse, é uma das linhas estratégicas de trabalho fixadas pelo Foro de São Paulo, durante o encontro que decorreu (em julho último) em Caracas e terá lugar num momento histórico na América Latina e em que os povos do mundo protestam contra as políticas neoliberais.

A 21 de outubro último, Diosdado Cabello responsabilizou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os Estados Unidos de América (EUA) pelos violentos protestos em vários países da América Latina.

"Ninguém pode deter isso (protestos) e não são provocados por nenhum governo, nem por Cuba, nem pela Venezuela", disse o responsável venezuelano numa conferência de imprensa do PSUV.

Segundo o político, "o único causador do que acontece nesses países, no Chile, na Colômbia, na Argentina e no Haiti é o FMI e o Governo dos EUA". "Não há outros responsáveis", argumentou.

Por outro lado, explicou que se alegra porque os povos estão a acordar e que será inevitável que a "brisa bolivariana" chegue a outros países, inclusive aos EUA, referindo que "não pode ser que o berço do capitalismo seja imune à luta dos povos".

"Anda uma brisa bolivariana que vai tendo força e quando as brisas têm força passam a ventanias e terminam em furacões, porque os povos já sabem protestar contra as medidas neoliberais", concluiu.

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