Venezuela inaugurou monumento mariano mais alto do mundo
As autoridades venezuelanas inauguraram na quarta-feira o Manto de Maria, que asseguram ser o "monumento mariano mais alto do mundo", no estado de Lara, a 370 quilómetros de Caracas.
A inauguração do monumento coincide com o 160.º aniversário das celebrações religiosas em honra da Divina Pastora, uma peregrinação "que é a terceira maior do mundo, depois de Nossa Senhora de Guadalupe e de Nossa Senhora de Fátima", segundo disse aos jornalistas a porta-voz das autoridades locais, Carmen Meléndez.
O Manto de Maria tem mais de 60 metros (22 pisos). No centro está uma figura mariana de 45 metros de altura e 23 de largura, composta por mais de 700 tubos de alumínio, com duas torres de cimento que a sustêm, num espaço de 6.000 metros quadrados que inclui escadas, elevadores, um santuário, estacionamento, café e miradouros.
"Esta obra (...) foi construída no tempo recorde de 15 meses", explicou o Governador Henry Falcón, precisando que foram usados 976 milhões de bolívares fortes (4,48 milhões de euros).
Também a ministra venezuelana de Turismo, Marleny Contreras, sublinhou que o Manto de Maria é "a representação mariana mais alta do mundo".
A Divina Pastora é uma representação local da Virgem Maria, venerada no Santuário de Santa Rosa, da cidade de Barquisimeto, capital do Estado de Lara, onde anualmente, a 14 de janeiro, se realiza uma procissão que reúne centenas de milhar de católicos, entre eles, muitos portugueses radicados na Venezuela.
A devoção à Divina Pastora surgiu em Sevilha, Espanha, e a sua imagem consiste numa virgem com chapéu de pastora e um manto azul, que tem um menino Jesus na mão esquerda e um cordeiro junto do pé direito.
Segundo a lenda, em 1736, o padre de Santa Rosa pediu ao escultor Francisco Ruiz Gijón que elaborasse uma estátua da Imaculada Conceição, recebendo, por engano, uma imagem da Divina Pastora, que tentou devolver, mas que se fez tão pesada que foi impossível tirá-la da igreja.
A população interpretou o que acontecia como um sinal de que a Divina Pastora queria ficar no santuário de Santa Rosa, destruído em 1812 por um terramoto. NO entanto, a imagem ficou intacta, o que reforçou a crença de que protege o povo.
Em 1855, a Venezuela foi fustigada por uma epidemia de cólera que ocasionou a morte de muitas famílias locais. A população desesperada fez uma procissão com a imagem da Divina Pastora, a quem imploraram misericórdia, tendo a epidemia acabado em seguida.
Dados não oficiais dão conta de que em 2013 quase três milhões de peregrinos participaram na procissão em homenagem à Divina Pastora.