Venezuela. Presidente diz que haverá eleições "livres e justas" mas não dá prazos

Venezuela. Presidente diz que haverá eleições "livres e justas" mas não dá prazos

A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, garantiu que o país terá "eleições livres e justas", mas não ofereceu qualquer tipo de prazo para a realização de eleições presidenciais.

Lusa /
Leonardo Fernandez Viloria - Reuters

"Absolutamente, sim", respondeu Rodríguez, na quinta-feira, em entrevista à estação norte-americana NBC, quando questionada sobre a possibilidade de haver eleições após a captura e detenção do Presidente Nicolás Maduro por Washington, há um mês e meio.

"As eleições estão previstas na Constituição. E realizar eleições livres e justas na Venezuela também significa ter um país livre e onde se possa exercer a justiça", afirmou Rodríguez, acrescentando que o país também deveria ficar "livre de sanções" e do "assédio da imprensa internacional" para organizar essa votação.

A entrevista à NBC é a primeira que a mandatária concede a um meio de comunicação norte-americano após a detenção de Maduro.

A presidente interina assegurou também que "o calendário das eleições será marcado e decidido pelo diálogo político neste país", mas não se pronunciou quando questionada sobre se as presidenciais poderiam ser dentro de três anos, como sugeriu o secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, durante uma visita à Venezuela esta semana.

Após a extração de Maduro de Caracas pelas forças dos Estados Unidos, a Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, entregou a liderança da transição do regime à ex-vice-presidente chavista e garantiu que está a supervisionar o Executivo de Delcy Rodríguez.

Quando questionada sobre a influência de Washington na política que está a ser seguida por Caracas, Rodríguez falou da importância de "desenvolver um trabalho conjunto" e disse que agradece o "nível de cooperação" da Casa Branca.

A mandatária também garantiu que, "sem dúvida alguma", Nicolás Maduro continua a ser "o Presidente legítimo da Venezuela" e defendeu que tanto ele como a sua esposa, Cilia Flores, são inocentes das acusações de conspiração e narcoterrorismo de que são acusados pelas autoridades norte-americanas.

Rodríguez mencionou os relatórios da ONU que indicam que a Venezuela "não é relevante" no tráfico de drogas para os Estados Unidos, ao contrário do que afirma a Administração Trump, que acusa Maduro de liderar o chamado Cartel dos Sóis.

Por sua vez, a mandatária considerou que a discrepância entre Caracas e Washington quanto ao papel que Maduro e Cilia Flores poderiam ter desempenhado em supostas redes de narcotráfico "não é de todo difícil", no sentido em que não causa problemas maiores, em face "à diplomacia, ao diálogo político e energético" que está a ocorrer entre os dois países nas últimas semanas.

Após a captura de Maduro, ambas as partes concordaram que os EUA comercializariam cerca de 50 milhões de barris de petróleo bruto do país caribenho e enviariam as receitas ao Governo venezuelano.

Chris Wright afirmou na quinta-feira que a faturação dessas vendas de petróleo já ultrapassa os mil milhões de dólares (842,6 milhões de euros), e que o valor pode quintuplicar em breve.

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