Venezuela. Sobrevivente continua preso nos escombros oito dias após sismos

Venezuela. Sobrevivente continua preso nos escombros oito dias após sismos

Centenas de socorristas trabalham esta quinta-feira para resgatar um homem de 40 anos que está preso há oito dias nos escombros de um edifício, após os dois sismos que mataram mais de duas mil pessoas e deixaram dezenas de milhares de desaparecidos na Venezuela.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Ricardo Arduengo - Reuters

Hernan Gil, um segurança de 43 anos, está preso na sua casa de guarda sob o edifício onde trabalhava em Catia La Mar, uma zona costeira do estado de La Guaira, no norte do país, que ficou quase totalmente destruída no desastre de 24 de junho.

O venezuelano, que era vigilante do parque de estacionamento de um centro comercial de 10 andares, foi detetado com vida pela missão portuguesa está num espaço onde se pode movimentar.
Equipas de resgate de sete países — Portugal, Venezuela, Chile, Estados Unidos, Costa Rica, El Salvador e México — trabalharam incansavelmente durante três dias para chegar até ele.

As equipas de salvamento mudaram esta madrugada a estratégia e estão a tentar chegar a Hernan Gil por outro local, como explica o enviado da RTP à Venezuela, Daniel Catalão.
Na noite de quarta-feira, estavam a menos de um metro de distância.

"É um verdadeiro milagre", disse à agência France Presse a mulher de Gil, Gusbimar Gonzalez.

"Estou completamente maravilhada, porque é a primeira vez que vejo tantos países a unirem-se assim para salvar uma única pessoa", acrescentou.

As equipas de resgate de vários países estão a trabalhar dia e noite para tentar salvar eventuais sobreviventes. Usam sonares e toda a tecnologia possível para detetar sobreviventes.


No Estado de La Guaira, o mais atingido, dezenas de edifícios destruídos exibem uma grande letra D pintada com spray. Significando "falecido", de acordo com a nomenclatura internacional para operações de busca e salvamento durante sismos, a letra frustra as esperanças de encontrar sobreviventes debaixo dos escombros.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou na quarta-feira sete dias de luto nacional "em homenagem à memória das vítimas".

Mais de 11 mil feridos e 50 mil desaparecidos
O número de mortos foi revisto em alta, atingindo os 2.295, e o de feridos mais de 11 mil, segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, enquanto na terça-feira o número era pouco menos de dois mil.

Entre as vítimas mortais estão 75 portugueses e lusodescendentes (63 adultos e 13 crianças). O último balanço do governo português, que decretou o sábado como dia de luto nacional, revela que continuam desaparecidas 66 pessoas com origens portuguesas.

Num país já sujeito a restrições de informação nos últimos anos, o governo limitou o acesso a La Guaira após o desastre, exigindo que os voluntários levassem passes.


"Tem sido extremamente difícil chegar ao território venezuelano", disse à AFP Luis Arteaga Benatuil, membro do grupo espanhol de busca e salvamento USAR 13. "Estamos a chegar tarde, mas o nosso objetivo continua a ser salvar vidas."

As Nações Unidas estimam que 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas.

Para os sobreviventes, as autoridades venezuelanas montaram centros de distribuição de ajuda, mas sentem-se mais apoiados por estrangeiros e voluntários.

Quatro polícias venezuelanos foram detidos por pilhagens na zona atingida pelo duplo sismo, anunciou o Ministério da Justiça nas redes sociais após um vídeo que mostrava os polícias a serem apanhados por moradores enfurecidos.

As zonas afetadas parecem ter sido arrasadas, com enormes buracos no interior de casas que ainda se mantêm de pé, mas agora inabitáveis.

Com base em imagens de satélite, a NASA estima que aproximadamente 58.870 edifícios tenham sido danificados ou destruídos.

No estado de La Guaira, "a escassez de alimentos é generalizada, os serviços básicos entraram em colapso e as comunicações estão praticamente interrompidas", alertou na terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

O Programa Alimentar Mundial (PAM) lançou um apelo por 50 milhões de dólares para alimentar 500 mil pessoas durante três meses.

c/agências
Tópicos
PUB