Venezuelanos assinam acordo a propor 27 datas para eleições presidenciais

por Lusa
Maduro mostrou-se satisfeito com o acordo Leonardo Fernandez Viloria - Reuters

Representantes do governo venezuelano, de um grupo da oposição, empresários, universitários, religiosos e outros setores da sociedade assinaram um acordo com a proposta de 27 datas para as eleições presidenciais na Venezuela.

A assinatura do acordo realizou-se na quarta-feira no parlamento venezuelano, e o anúncio foi feito através da televisão estatal pelo presidente do órgão legislativo, Jorge Rodríguez, também chefe da delegação que representa o governo de Nicolás Maduro, nas negociações com a oposição.

"Acaba de ocorrer um evento de transcendência histórica. No Salão Elíptico, que acolhe a Ata de Independência, reunimos vários setores políticos, económicos, culturais e partidos que representam 97% dos partidos registados (...) Temos 27 datas. Na sexta-feira, vamos ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE)", disse Jorge Rodríguez, sublinhando que cabe à CNE decidir o dia de votação.

Rodríguez explicou que foram incluídas todas as datas propostas, que vão desde março a dezembro, resultantes de 150 reuniões realizadas ao longo de quatro semanas.

Na assinatura do acordo não participou a Plataforma Unitária Democrática, que agrupa os principais partidos opositores, segundo a imprensa venezuelana.

A imprensa local informou ainda o acordo não faz referência a possíveis ações sobre a participação de candidatos desqualificados, entre eles Maria Corina Machado que, em 2023, foi eleita candidata da oposição para competir com Maduro.

Vários políticos opositores questionaram o acordo, como foi o caso de Juan Pablo Guanipa, do Primeiro Justiça, que através da rede social X disse tratar-se de "um acordo entre iguais".

"É uma espécie de consenso interno entre os chavistas-maduristas e os chavistas-maduristas colaboracionistas. Além disso, não diz nada, propõe o ano inteiro como data possível para a realização das eleições e deixa de lado a essência do Acordo de Barbados (assinado pelo Governo e a oposição em outubro de 2023). Esse é o que eles têm de cumprir!", escreveu.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, congratulou-se com a assinatura do "Acordo Amplo de Caracas", que disse recolher as melhores propostas dos distintos entendimentos com a oposição.

 

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