Viagem da equipa da Guarda Civil a Portugal contestada por Sindicato de Polícia espanhol

A viagem a Portugal de uma equipa da Guarda Civil espanhola que vai investigar a possibilidade da existência de uma infra-estrutura da ETA em território português foi hoje contestada pelo Sindicato Unificado da Polícia (SUP) espanhol.

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Em comunicado, o SUP considera que as competências para os contactos com polícias estrangeiras cabem à Polícia Nacional e não à Guarda Civil e que, como tal, deveriam ser agentes do primeiro corpo a ir a Portugal.

À semelhança do que ocorre em Portugal a Guarda Civil espanhol (congénere da GNR) é uma força militarizada, enquanto a Polícia Nacional (idêntica à PSP) é civil

"Não é compreensível a decisão adoptada pelo Ministério do Interior. Continuando a linha de anteriores governos socialistas, continua a dar tratamento preferencial ao corpo militar de segurança em Espanha em detrimento do corpo civil, que é quem devia conduzir os serviços de investigação criminal", refere o comunicado do SUP.

Para o sindicato, esta é "uma patologia típica de novos-ricos vermelhos quando chegam ao poder", traduzindo "um desprezo para com o trabalho profissional de mais de 50 mil membros do Corpo Nacional de Policia (CNP)".

O sindicato acusa ainda responsáveis políticos de fomentar a falta de colaboração entre os corpos de segurança, colocando à frente das investigações a Guarda Civil que "não partilha informação com o CNP".

A contestação surge depois de no domingo o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, ter anunciado que uma equipa de efectivos da Guarda Civil se desloca hoje a Portugal para analisar o reforço da cooperação bilateral no combate ao terrorismo.

Os dois países, anunciou Rubalcaba, deverão apostar na criação de uma equipa mista de investigação para apurar a eventual existência de uma infra-estrutura da ETA em território português.

A criação dessa equipa, composta por polícias e magistrados dos dois países, reforçará a luta anti-terrorista numa altura em que as autoridades avaliam a possibilidade de a ETA ter uma pequena infra-estrutura a sul de Portugal.

O primeiro passo desse processo de reforço avançará já hoje quando três ou quatro elementos dos Serviços de Informação da Guarda Civil, especialistas no combate ao terrorismo, cheguem a Lisboa.

No que toca ao grupo misto a formar previsivelmente em Setembro - durante uma visita a Lisboa de Rubalcaba - Madrid aposta na participação de pelo menos um juiz, um procurador e quatro agentes dos serviços anti-terrorismo da Guarda Civil.

Madrid e Lisboa pretendem apurar se há ou não uma infra-estrutura da ETA em Portugal ou se a organização terrorista basca recorre pontualmente a Portugal para, por exemplo, alugar carros.

Em duas ocasiões nos últimos dois meses carros alugados em Portugal foram usados em acções da ETA.

Em Junho um carro com matrícula portuguesa carregado de explosivos foi encontrado pela polícia espanhol em Ayamonte e na passada sexta-feira um carro alugado no Algarve foi usado para a fuga dos responsáveis pelo atentado contra um quartel da Guarda Civil no País Basco.

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