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Vice de Romney ataca Obama e faz promessas à nova geração da América
A Convenção Republicana aclamou ontem à noite a face mais conservadora da candidatura do partido às eleições presidenciais. Paul Ryan, o escolhido por Mitt Romney para assumir o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos, foi o protagonista da noite em Tampa, na Florida, com um discurso repleto de críticas ferozes à liderança de Barack Obama. O congressista do Wisconsin pegou naquela que é tida pelos republicanos como a maior fraqueza da campanha do atual Presidente e prometeu que, junto com Romney, vai “resolver os problemas económicos desta nação”.
“Os vossos líderes falharam”, atiçou Paul Ryan, perante uma plateia de delegados republicanos ainda não totalmente convencidos das capacidades do congressista de 42 anos. O próprio admite que o choque geracional com Mitt Romney, de 65 anos, separa os dois pretendentes às mais elevadas cadeiras do poder da América “em algumas questões”. E quer tornar isso um ponto a seu favor.
“Eu aceito o chamamento da minha geração para dar aos nossos filhos a América que nos foi dada a nós, com oportunidades para os jovens e segurança para os mais velhos, e sei que estamos prontos para isso”, proclamou para os aplausos entusiásticos dos delegados. “Os jovens licenciados na casa dos 20 anos não devem ter que viver nos seus quatros de infância, a olhar para posters desbotados de Barack Obama e a imaginar quando é que poderão seguir com a sua vida”, continuou, num claro piscar de olho ao eleitorado jovem que, a cada eleição, vai escapando ao Grand Old Party.
Doze milhões de empregos é o que Paul Ryan promete criar num hipotético primeiro mandato. E garante ainda que conseguirá limitar os gastos do Governo federal a 20 por cento do PIB dos Estados Unidos, "num claro corte com os anos Obama". "A escolha é entre impormos limites rígidos ao crescimento económico ou ao tamanho do Governo e nós escolhemos limitar o Governo", explicitou o presidente da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes, apontando o “fracasso” das políticas económicas e financeiras da administração Obama, que irá ficar marcada por ter presidido ao maior aumento de sempre da dívida pública do país.
“Não vamos fugir às questões difíceis, vamos liderar. O trabalho que temos pela frente vai ser duro. Este momento exige o melhor de nós, de todos nós, mas nós conseguimos fazer isto, Juntos, conseguimos fazer isto”, declarou Ryan, prometendo uma “reviravolta” para a América. “Não vamos passar quatro anos a culpar os outros, nós vamos acatar as responsabilidades”, sublinhou.
Medicare, a eterna batalha
Desde que foi anunciada a sua nomeação para “número dois” de Romney que uma das questões mais sensíveis do repertório de Ryan tem sido a proposta de reforma do sistema de saúde norte-americano. O congressista quer reduzir os gastos com o Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo Governo para os maiores de 65 anos, através da sua privatização parcial, de forma a garantir a sua sustentabilidade a longo-prazo. Os democratas contrapõem com o argumento de que essa proposta constitui uma tentativa de aniquilar uma das bases da Segurança Social.
Apesar do foco na presidência “à deriva” de Obama, Paul Ryan conseguiu incluir referências ao seu próprio candidato nos 30 minutos que discursou. “O nosso nomeado está preparado. O seu percurso de vida preparou-o para este momento, para enfrentar desafios sérios de uma forma séria, sem desculpas nem palavras ocas”, exaltou Ryan, numa tentativa de aproximar das pessoas o multimilionário ex-governador do Massachusetts.
A verdade é que a chegada de Ryan à corrida, segundo mostram as sondagens, revitalizou a campanha de Romney junto do eleitorado mais conservador, nomeadamente do Tea Party.
Recuperar a "liderança do mundo"
Paul Ryan não foi o único a subir ao palco da Convenção Republicana na noite de quarta-feira. O Senador John McCain, rival de Obama nas eleições de 2008, trouxe a política externa para o debate, acusando o atual presidente dos EUA de ter negligenciado a influência do país no mundo, apontando como exemplo o “abandono” do povo Sírio a uma “luta selvagem e injusta”. “O nosso Presidente não está a respeitar os nossos valores”, considerou McCain, no dia em que completou 76 anos. “Em jogo nesta eleição”, acrescentou, está a “renovação das fundações do nosso poder e da nossa liderança no mundo”.
Também Condolezza Rice, antiga secretária de Estado da Administração de George W. Bush, pegou no microfone para elevar as virtudes da dupla Romney-Ryan, salientando igualmente os alegados vícios da política externa de Obama.
“A promessa da Primavera Árabe está envolta em incertezas, as lutas internas e os vizinhos hostis desafiam a frágil democracia do Iraque. Os ditadores do Irão e da Síria aniquilam os seus próprios povos e ameaçam a segurança da região. A China e Rússia evitam dar qualquer resposta, e todos questionam: 'Onde está a América?' Quando os nossos amigos e os nossos inimigos não sabem a resposta a essa pergunta, o mundo só pode ser um lugar caótico e perigoso. O país mais livre e mais compassivo da Terra terá de continuar a ser o mais poderoso", concluiu Rice.
Esta noite será a vez de Mitt Romney se dirigir aos delegados republicanos como o candidato oficial do partido à Casa Branca. As eleições estão marcadas para o dia 6 de novembro.
“Eu aceito o chamamento da minha geração para dar aos nossos filhos a América que nos foi dada a nós, com oportunidades para os jovens e segurança para os mais velhos, e sei que estamos prontos para isso”, proclamou para os aplausos entusiásticos dos delegados. “Os jovens licenciados na casa dos 20 anos não devem ter que viver nos seus quatros de infância, a olhar para posters desbotados de Barack Obama e a imaginar quando é que poderão seguir com a sua vida”, continuou, num claro piscar de olho ao eleitorado jovem que, a cada eleição, vai escapando ao Grand Old Party.
Doze milhões de empregos é o que Paul Ryan promete criar num hipotético primeiro mandato. E garante ainda que conseguirá limitar os gastos do Governo federal a 20 por cento do PIB dos Estados Unidos, "num claro corte com os anos Obama". "A escolha é entre impormos limites rígidos ao crescimento económico ou ao tamanho do Governo e nós escolhemos limitar o Governo", explicitou o presidente da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes, apontando o “fracasso” das políticas económicas e financeiras da administração Obama, que irá ficar marcada por ter presidido ao maior aumento de sempre da dívida pública do país.
“Não vamos fugir às questões difíceis, vamos liderar. O trabalho que temos pela frente vai ser duro. Este momento exige o melhor de nós, de todos nós, mas nós conseguimos fazer isto, Juntos, conseguimos fazer isto”, declarou Ryan, prometendo uma “reviravolta” para a América. “Não vamos passar quatro anos a culpar os outros, nós vamos acatar as responsabilidades”, sublinhou.
Medicare, a eterna batalha
Desde que foi anunciada a sua nomeação para “número dois” de Romney que uma das questões mais sensíveis do repertório de Ryan tem sido a proposta de reforma do sistema de saúde norte-americano. O congressista quer reduzir os gastos com o Medicare, o sistema de seguros de saúde gerido pelo Governo para os maiores de 65 anos, através da sua privatização parcial, de forma a garantir a sua sustentabilidade a longo-prazo. Os democratas contrapõem com o argumento de que essa proposta constitui uma tentativa de aniquilar uma das bases da Segurança Social.
Apesar do foco na presidência “à deriva” de Obama, Paul Ryan conseguiu incluir referências ao seu próprio candidato nos 30 minutos que discursou. “O nosso nomeado está preparado. O seu percurso de vida preparou-o para este momento, para enfrentar desafios sérios de uma forma séria, sem desculpas nem palavras ocas”, exaltou Ryan, numa tentativa de aproximar das pessoas o multimilionário ex-governador do Massachusetts.
A verdade é que a chegada de Ryan à corrida, segundo mostram as sondagens, revitalizou a campanha de Romney junto do eleitorado mais conservador, nomeadamente do Tea Party.
Recuperar a "liderança do mundo"
Paul Ryan não foi o único a subir ao palco da Convenção Republicana na noite de quarta-feira. O Senador John McCain, rival de Obama nas eleições de 2008, trouxe a política externa para o debate, acusando o atual presidente dos EUA de ter negligenciado a influência do país no mundo, apontando como exemplo o “abandono” do povo Sírio a uma “luta selvagem e injusta”. “O nosso Presidente não está a respeitar os nossos valores”, considerou McCain, no dia em que completou 76 anos. “Em jogo nesta eleição”, acrescentou, está a “renovação das fundações do nosso poder e da nossa liderança no mundo”.
Também Condolezza Rice, antiga secretária de Estado da Administração de George W. Bush, pegou no microfone para elevar as virtudes da dupla Romney-Ryan, salientando igualmente os alegados vícios da política externa de Obama.
“A promessa da Primavera Árabe está envolta em incertezas, as lutas internas e os vizinhos hostis desafiam a frágil democracia do Iraque. Os ditadores do Irão e da Síria aniquilam os seus próprios povos e ameaçam a segurança da região. A China e Rússia evitam dar qualquer resposta, e todos questionam: 'Onde está a América?' Quando os nossos amigos e os nossos inimigos não sabem a resposta a essa pergunta, o mundo só pode ser um lugar caótico e perigoso. O país mais livre e mais compassivo da Terra terá de continuar a ser o mais poderoso", concluiu Rice.
Esta noite será a vez de Mitt Romney se dirigir aos delegados republicanos como o candidato oficial do partido à Casa Branca. As eleições estão marcadas para o dia 6 de novembro.