Vice-Presidente defende renegociação do preço da energia de Itaipu em visita ao Brasil
Brasília, 29 Abr (Lusa) - O vice-Presidente eleito do Paraguai, Federico Franco, disse hoje em visita ao Brasil que o seu país não vai abrir mão da renegociação do preço da energia produzida pela hidro-eléctrica de Itaipu.
"Este é o princípio das conversas. Quando o Brasil vir que a autoridade paraguaia não se vende, vai mudar seu temperamento. Não nos vamos submeter, não vamos trair a vontade do povo", afirmou aos jornalistas.
Franco foi recebido por seu homólogo brasileiro, José Alencar, no Palácio do Planalto, e reuniu-se também com o presidente do Senado, Garibaldi Alves, com parlamentares do estado do Paraná (região de Itaipu) no Congresso Nacional e com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O vice-Presidente paraguaio não fez referência a valores, mas disse que o Paraguai quer um "preço justo" pela energia produzida pela empresa binacional.
Por seu turno, o vice-Presidente brasileiro José Alencar afirmou que o acordo de Itaipu é "intocável".
Segundo Alencar, o Brasil não tem "absolutamente nada a ver" com as promessas de campanha no Paraguai.
O reajuste do preço da energia de Itaipu foi uma das maiores bandeiras de campanha de Fernando Lugo, eleito Presidente do Paraguai no último dia 20.
"É natural, nós compreendemos. Mas, em relação ao acordo que vai até 2023, isso é intocável", destacou Alencar, acrescentando, entretanto, que a questão de Itaipu não foi debatida no seu encontro com Federico Franco.
O acordo de Itaipu, cuja revisão está marcada para ocorrer em 2023, prevê que a energia gerada pela hidroeléctrica é dividida igualmente entre os dois países.
Como o Paraguai utiliza apenas cinco por cento da energia produzida, que é suficiente para atender a quase toda a sua demanda, os 45 por cento restantes são vendidos para o Brasil.
Actualmente, o Brasil paga ao país vizinho 45,3 dólares por megawatt de energia, mas 42,5 dólares são abatidos da dívida que o Paraguai tem pela construção da hidro-eléctrica.
O Paraguai recebe, portanto, 2,81 dólares por megawatt vendido e é sobre esta parcela que o Governo paraguaio batalha por uma revisão.
CMC.
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