Vice-presidente do Brasil critica aumento das despesas militares no mundo
O vice-presidente e ministro da Defesa do Brasil criticou quarta-feira, em Quito, o aumento das despesas militares no mundo e a falta de progresso em matéria de desarmamento nuclear, noticiaram hoje os jornais brasileiros.
Em discurso frontalmente contrário aos Estados Unidos, proferido na abertura da VI Conferência de Ministros da Defesa das Américas, José Alencar disse que há "graves riscos para a paz internacional" e defendeu que as potências armadas adoptem "medidas concretas na busca do desarmamento".
Na reunião, em que participam 34 países, incluindo os EUA, José Alencar considerou também "contraproducente" a proposta norte- americana e canadiana de criar um órgão de defesa comum no continente para combater o terrorismo.
"Alguns privilegiam o uso da força (Ó) para combater o terrorismo internacional e a proliferação de armas de destruição em massa.
Outros, como nós, defendem a cooperação para combater ameaças estruturais, reflectidas na pobreza, fome, aumento da desigualdade", assinalou.
O representante brasileiro afirmou ainda que cada país deve manter o "direito soberano de identificar as suas próprias prioridades nacionais de segurança e defesa".
José Alencar manifestou-se igualmente contrário à proposta do secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, de ampliar o papel das Forças Armadas do continente na acção contra o terrorismo e o crime organizado.
Na óptica do ministro e vice-presidente do Brasil, este papel compete às forças policiais e aos serviços secretos de cada país.
José Alencar argumentou ainda que, para o combate ao terrorismo ser efectivo, devem ser tidas em conta "certas situações de exclusão e injustiça que alimentam (Ó) atitudes extremistas".