Vice-presidente dos EUA fala em "progressos reais" no Afeganistão

Cabul, 22 dez (Lusa) - O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, afirmou ver "progressos reais" no Afeganistão, onde realizou na quinta-feira uma visita surpresa, durante a qual se reuniu com líderes do país e passou em revista as tropas norte-americanas.

Lusa /

"Os resultados estão a começar a tornar-se evidentes em todo o país", apontou, indicando que o Presidente afegão, Ashraf Ghani, lhe transmitiu que foram eliminados mais líderes talibãs em 2017 do que em todos os anos anteriores à guerra combinados.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou, em agosto, uma nova estratégia para o Afeganistão, que prevê o envio de mais recursos e tropas para o país, a qual foi enfatizada durante a visita relâmpago de Mike Pence, para quem o mais importante é, com efeito, a nova autoridade conferida aos militares no terreno para combater de forma mais eficaz ao lado dos soldados afegãos.

Num discurso proferido diante de cerca de 500 tropas norte-americanas, o vice-presidente dos Estados Unidos afirmou que Donald Trump também "pôs sob aviso o Paquistão", apontado como "porto de abrigo" para talibãs e outros grupos terroristas.

"Esses dias acabaram", argumentou Mike Pence, sustentando que o Paquistão "tem muito a ganhar com uma parceria com os Estados Unidos", mas "muito a perder se continuar a abrigar criminosos".

"A paz só chega através da força", enfatizou, instando as tropas norte-americanas a serem fortes e corajosas, durante o discurso que proferiu na base aérea de Bagram, perto de Cabul, em que também transmitiu aos soldados que Donald Trump está empenhado "em permanecer naquela luta" e em vê-la "até chegar ao fim".

O vice-presidente dos Estados Unidos falou ainda do sacrífico a que tem estado sujeitos os soldados norte-americanos no Afeganistão, desde a invasão em 2001, para incentivar as tropas ali estacionadas: "Acredito que a vitória está mais perto do que nunca".

Mike Pence afirmou, após o encontro com o Presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, que as tropas norte-americanas vão permanecer no país até eliminarem a ameaça terrorista para os Estados Unidos.

Ao contrário da administração norte-americana anterior, liderada por Barack Obama, a nova estratégia de Donald Trump no Afeganistão prevê uma presença militar norte-americana ilimitada no país.

Pence partiu de Washington na tarde de quarta-feira a bordo de um avião militar com destino à base aérea de Bagram para uma visita surpresa ao Afeganistão.

Seguiu depois, de helicóptero, para o palácio presidencial de Cabul, onde foi recebido pelo Presidente afegão, Ashraf Ghani, e pelo chefe de Governo, Abdullah Abdullah.

"Espero que a minha presença aqui seja uma prova tangível da liderança do Presidente Trump", afirmou Mike Pence aos jornalistas, antes de regressar à base áerea de Bagram para falar com os soldados norte-americanos.

A visita, que durou menos de oito horas, figura como a primeira a uma zona de combate por parte de Mike Pence, que supera assim Donald Trump, dado que desde que chegou à Casa Branca, há mais de 11 meses, ainda não viajou para nenhuma zona de guerra.

Os Estados Unidos entraram na guerra no Afeganistão pouco depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em solo norte-americano.

Atualmente, existem cerca de 14.000 soldados norte-americanos estacionados no Afeganistão, a maior parte integrada na missão da NATO, comandada pelo general norte-americano John Nicholson.

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