Vídeo com interrogatório a Saddam sem validade jurídica

Giovanni di Stefano, um dos advogados do presidente iraquiano deposto Saddam Hussein, declarou em Londres que o interrogatório filmado do seu cliente, divulgado pela televisão, não tem validade jurídica porque o arguido não tinha ninguém a defendê-lo.

Agência LUSA /

"O presidente iraquiano não contou com assistência jurídica" e, por este motivo, "o interrogatório foi ilegal", precisou o advogado italiano aos jornalistas.

Di Stefano adiantou ter previsto um encontro com o seu cliente "dentro de 13 dias", que será filmado na presença de uma equipa internacional. "É tempo de [Saddam Hussein] ser ouvido", alegou.

O vídeo, sem som, divulgado pelo Tribunal Especial Iraquiano e emitido pela televisão local Al-Sharquiya para todas as congéneres mundiais, mostra Saddam Hussein a ser questionado sobre os factos ocorridos em Dujail, 40 quilómetros a norte de Bagdad, onde dezenas de xiitas foram mortos e as suas terras confiscadas depois de um atentado fracassado contra o ex-Presidente (1982).

A autorização para a divulgação das imagens partiu do juiz iraquiano Raed Juhi, encarregue da instrução do processo.

Saddam Hussein aparece de camisa branca e fato escuro, sentado diante de Juhi.

O colectivo da defesa do ex-chefe de Estado iraquiano foi escolhido pela sua mulher, Sajida, e pelas três filhas. Integra 24 juristas, alguns com nomes sonantes como os antigos ministro dos Negócios Estrangeiros francês Roland Dumas e Procurador-Geral dos Estados Unidos Ramsey Clark, bem como a filha do Presidente da Líbia, Aicha Kadhafi.

Na passada sexta-feira, o porta-voz do colectivo de advogados, Ziad Khassauneh, queixou-se de, até à data, não ter recebido do Tribunal Especial Iraquiano um único documento com as acusações de que é alvo Saddam Hussein. Aliás, insistiu, só pôde ver duas vezes o cliente, em Dezembro de 2004 e em Abril passado.

O Tribunal Especial Iraquiano foi criado em Dezembro de 2003 pela coligação liderada pelos Estados Unidos.

Saddam Hussein - com mais 11 altos responsáveis do seu regime - está detido numa prisão de alta segurança norte-americana algures nas imediações do aeroporto de Bagdad. A primeira vez que compareceu perante a justiça foi a 01 de Julho de 2004, altura em que se negou a falar, exigindo advogados.

O porta-voz do governo iraquiano, Leith Kubba, indicou que o arguido será processado por 12 crimes contra a humanidade - entre 500 outras acusações -, suficientes para sobre ele recair a pena máxima.

O actual Presidente do Iraque, o curdo Jalal Talabani, assegurou em Maio que jamais assinará a pena de morte, mesmo sendo esta a decisão do tribunal.

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