Vigílias por Pretti prosseguem em Minneapolis exigindo justiça mesmo após substituição de Bovino

Vigílias por Pretti prosseguem em Minneapolis exigindo justiça mesmo após substituição de Bovino

Os habitantes de Minneapolis realizaram hoje vigílias em memória do enfermeiro Alex Pretti, morto a tiro no sábado por agentes federais de imigração, mesmo após a substituição do seu controverso comandante na cidade, Greg Bovino.

Lusa /

Os habitantes daquela cidade do estado norte-americano do Minnesota mantiveram-se nas ruas para exigir justiça, apesar de ter sido anunciado que Greg Bovino deixará de liderar as operações do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE).

"A saída de Bovino é um grande passo para diminuir a violência, mas a comunidade está convencida de que devemos continuar nas ruas. Os protestos não vão parar; não basta que eles se vão embora, queremos justiça", declarou o manifestante Evan Freese, um professor que vive a quatro quarteirões do cruzamento na zona sul da cidade onde Pretti foi morto, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

A morte de Pretti, o segundo manifestante abatido a tiro nos protestos contra as operações de busca e detenção de imigrantes em Minneapolis, depois da morte de Renée Good, a 07 de janeiro, provocou uma onda de indignação em todos os Estados Unidos, obrigando a Casa Branca a fazer alguns ajustamentos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na segunda-feira o envio do seu "czar da fronteira", Tom Homan, para a região, substituindo Bovino, que se tornou o rosto das operações agressivas na cidade e da repressão contra os manifestantes que protestavam contra estas ações.

Evan Freese é o responsável pelo altar erguido em homenagem a Pretti, além de gerir o café e a comida que outros cidadãos levam para os voluntários que permanecem nas ruas apesar das temperaturas extremas, que esta semana atingiram os -26 graus centígrados.

"As ações do ICE na cidade saíram do controlo de uma forma que nos afeta profundamente. Só nos resta prestar homenagem à vida dos nossos vizinhos falecidos com ações visíveis nas ruas, que é o que o Governo quer eliminar", sustentou.

Outros cidadãos presentes em redor do altar indicaram que um número significativo de organizações da sociedade civil está a convocar uma mobilização em massa na cidade para a próxima sexta-feira à tarde.

O juiz federal do Minnesota Patrick Shilitz intimou o diretor interino do ICE, Todd Lyons, para este explicar por que razão a agência não cumpriu as ordens judiciais relativas aos imigrantes detidos, e ameaçou processá-lo processo por desobediência judicial.

A Casa Branca baixou na segunda-feira o tom em relação ao caso Pretti, depois de vários membros do Governo Trump terem chamado "terrorista" à vítima no fim de semana e o terem acusado de tentar usar uma arma contra os agentes, apesar de os vídeos mostrarem que foi abatido pelas costas quando estava desarmado.

A porta-voz presidencial, Karoline Leavitt, evitou classificar assim o biólogo de 37 anos que trabalhava como enfermeiro de cuidados intensivos e disse que a sua morte foi "uma tragédia", mas culpou as autoridades democratas do estado do Minnesota por terem, afirmou, agitado a população contra os agentes federais da imigração.

Trump falou na segunda-feira por telefone com o governador do Minnesota, Tim Walz, do Partido Democrata, e com o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, também do Partido Democrata, para tentar coordenar esforços para reduzir as tensões nas ruas da cidade.

Com a chegada de Tom Homan, um conselheiro próximo de Donald Trump, espera-se também que grande parte dos 3.000 agentes federais do ICE mobilizados em Minneapolis abandonem a cidade nas próximas horas, enquanto os manifestantes continuam concentrados junto aos hotéis onde se presume que a maioria deles está alojada.

Homan é o principal responsável pela política governamental de deportações em massa de imigrantes nos Estados Unidos e está a assumir o comando no Minnesota no lugar de Greg Bovino, comandante da patrulha de fronteiras, mas o Governo norte-americano desmentiu, contudo, as notícias veiculadas na segunda-feira de que Bovino teria sido demitido do cargo.

Greg Bovino "continua a ser um membro fundamental da equipa do Presidente", escreveu a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, na rede social X.

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