Viktor Orbán considera desfile LGBT em Budapeste "uma vergonha"

Apesar da proibição policial imposta ao evento, o Desfile do Orgulho LGBT húngaro reuniu dezenas de milhares de pessoas no sábado em Budapeste. Viktor Orbán, primeiro-ministro do país, fala em “vergonha”.

RTP /
Lisa Leutner – Reuters

“Sou um daqueles que não considera o que aconteceu um motivo de orgulho. Digo que é uma vergonha”, afirmou Orbán na primeira reação pública.

Ignorando a ameaça de multas e de vigilância policial com recurso a câmaras e reconhecimento facial, o evento estimou a participação em cerca de 200 mil pessoas, considerada uma das maiores mobilizações desde a criação do “Orgulho Húngaro” na década de 1990.

O protesto ocorreu num ambiente festivo, mas também de desafio ao crescente retrocesso dos direitos LGBT+ no país, membro da União Europeia. O evento foi liderado pelo presidente da câmara de Budapeste, o ecologista Gergely Karácsony, e contou com a presença de eurodeputados na marcha.



As autoridades húngaras alertaram que o reconhecimento de rostos nas imagens poderá levar à aplicação de coimas até 500 euros. Além disso, organizar ou convocar manifestações deste tipo pode ser punível com até um ano de prisão, ao abrigo da nova legislação aprovada em março no país.
Na reação ao desfile, o governo acusou a oposição húngara de ter atuado “sob ordens de Bruxelas” e de ter procurado “impor a cultura woke com apoio estrangeiro”. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tinha apelado às autoridades húngaras para que permitissem a realização da marcha.

Orbán, no poder desde 2010 e defensor de um modelo “iliberal”, tem endurecido a política contra as pessoas LGBT+ com o argumento de proteger as crianças. A lei aprovada este ano proíbe qualquer manifestação que exponha menores à homossexualidade ou à identidade transgénero. O Parlamento alterou ainda a Constituição, declarando “a primazia do direito da criança ao desenvolvimento físico, mental e moral adequado sobre todos os outros direitos.

A polícia de Budapeste, que supervisionou a marcha, confirmou em comunicado que está a investigar os acontecimentos.

O desfile deste fim de semana ocorre num contexto de tensão entre Budapeste e Bruxelas, com a Hungria a enfrentar críticas persistentes dos parceiros europeus pelo que é descrito como um recuo preocupante nos direitos fundamentais.
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