Mundo
Violência e irregularidades no segundo dia de votos na Nigéria
As eleições presidenciais decorrem na Nigéria desde sábado e os episódios de confrontos e violência entre apoiantes do atual presidente e oposição já provocaram pelo menos 40 mortos. A Comissão de Eleições reconheceu entretanto estar “preocupada” com as irregularidades.
Desde o fim do regime militar, em 1999, que a Nigéria não conhecia uma eleição presidencial tão tensa e problemática. As ameaças chegam não só dos extremistas do Boko Haram, que controlam boa parte do país, mas também dos opositores de Goodluck Jonathan que classificam o escrutínio de "uma simulação e uma farsa".
“Falhas eletrónicas”
As urnas voltaram a abrir este domingo para escolher o próximo Presidente nigeriano, depois dos problemas registados no sistema eletrónico que faz a identificação dos eleitores. O próprio Presidente em funções foi obrigado a esperar quase uma hora para exercer o direito de voto.
As estações de voto que ainda estão abertas são uma pequena minoria (350 num universo de 120 mil), mas incluem Lagos, a maior cidade nigeriana.
A introdução de sistemas de leitura de cartões biométricos no sistema de votos foi uma das medidas implementadas na presente eleição para prevenir eventuais fraudes registadas em anos anteriores.
Os resultados finais deverão ser conhecidos 48 horas depois do encerramento das urnas.
Irregularidades eleitorais
Nos boletins de voto, os nigerianos escolhem entre o atual Presidente, Goodluck Jonathan e Muhammadu Buhari, um antigo dirigente militar.
O partido "Todos os Progressistas", coligação que apoia Buhari, assegura que o voto em Rivers, o maior Estado petrolífero da Nigéria, foi manipulado e culpa as milícias do atual presidente e o Partido Democrático Popular, pela incitação à violência.
Centenas de pessoas juntaram-se em protesto na sede da Comissão Eleitoral, em Port Harcourt, e pediram a repetição das eleições.
Os oficiais do Partido Democrático Popular não responderam para já às acusações da oposição.
Ao fim da tarde de domingo, o representante da Comissão de Eleições admitiu em conferência de imprensa estar “preocupado” com as irregularidades nas votações deste fim-de-semana, em especial com a situação em Rivers, onde membros da oposição a Goodluck Jonathan terão sido impedidos de participar numa reunião de verificação dos votos.
Rivers é o centro da produção petrolífera na Nigéria, um dos mais importantes de toda a África.
A agitação registada nos dois dias de eleições alimenta os receios de que os tumultos sociais regressem ao país, como aconteceu após as Eleições Presidenciais de 2011.
Na sequência da primeira eleição de Gooduck Jonathan, a agitação social resultou na morte de mais de 1000 pessoas e no desalojamento de mais de 65 mil, em especial a norte do país, nas cidades de Kano e Kaduna.
Para evitar uma repetição dos tumultos de há quatro anos, os dois principais candidatos à presidência, Jonathan e Buhari apelaram à calma e assinaram um acordo de paz no decorrer das eleições. Mas para Bakili Muluzi, um observador da Commonwealth no país, a instabilidade pode surgir a qualquer momento: "O perigo é pós-eletoral", avisa.
A ameaça do Boko Haram
À instabilidade política junta-se a ameaça do extremismo islâmico. Militantes do Boko Haram atacaram cidades no norte da Nigéria. Gombe e Yobe, cidades a norte da Nigéria, foram os maiores alvos dos terroristas islâmicos, tendo assassinado 40 pessoas, incluindo um candidato parlamentar da oposição.
O grupo Boko Haram ganhou posições importantes no país e tenta desde 2014 o estabelecimento de um califado na Nigéria e países vizinhos, nomeadamente nos Camarões, Chade e Níger.
A insurgência do Boko Haram foi aliás um dos temas centrais da campanha, com especialistas a nível interno e externo a apontarem o dedo a Goodluck Jonathan pela ausência de uma resposta concreta ao flagelo que matou mais de 10 mil nigerianos, só em 2014.
Abubakar Shekau, o líder do grupo, deixou claras ameaças a todos os que se deslocassem às urnas em zonas sob influência dos jihadistas. Nos últimos meses, um esforço conjunto de vários países obrigou ao recuo das forças radicais em algumas cidades, mas os ataques sobre civis não deixaram de ser frequentes.
À Associated Press chegam relatos de civis que fugiram da cidade de Bauchi, onde os rebeldes terão atacado estações voto e destruído materiais eleitorais.
As urnas voltaram a abrir este domingo para escolher o próximo Presidente nigeriano, depois dos problemas registados no sistema eletrónico que faz a identificação dos eleitores. O próprio Presidente em funções foi obrigado a esperar quase uma hora para exercer o direito de voto.
As estações de voto que ainda estão abertas são uma pequena minoria (350 num universo de 120 mil), mas incluem Lagos, a maior cidade nigeriana.
A introdução de sistemas de leitura de cartões biométricos no sistema de votos foi uma das medidas implementadas na presente eleição para prevenir eventuais fraudes registadas em anos anteriores.
Os resultados finais deverão ser conhecidos 48 horas depois do encerramento das urnas.
Irregularidades eleitorais
Nos boletins de voto, os nigerianos escolhem entre o atual Presidente, Goodluck Jonathan e Muhammadu Buhari, um antigo dirigente militar.
O partido "Todos os Progressistas", coligação que apoia Buhari, assegura que o voto em Rivers, o maior Estado petrolífero da Nigéria, foi manipulado e culpa as milícias do atual presidente e o Partido Democrático Popular, pela incitação à violência.
Centenas de pessoas juntaram-se em protesto na sede da Comissão Eleitoral, em Port Harcourt, e pediram a repetição das eleições.
Os oficiais do Partido Democrático Popular não responderam para já às acusações da oposição.
Ao fim da tarde de domingo, o representante da Comissão de Eleições admitiu em conferência de imprensa estar “preocupado” com as irregularidades nas votações deste fim-de-semana, em especial com a situação em Rivers, onde membros da oposição a Goodluck Jonathan terão sido impedidos de participar numa reunião de verificação dos votos.
Rivers é o centro da produção petrolífera na Nigéria, um dos mais importantes de toda a África.
A agitação registada nos dois dias de eleições alimenta os receios de que os tumultos sociais regressem ao país, como aconteceu após as Eleições Presidenciais de 2011.
Na sequência da primeira eleição de Gooduck Jonathan, a agitação social resultou na morte de mais de 1000 pessoas e no desalojamento de mais de 65 mil, em especial a norte do país, nas cidades de Kano e Kaduna.
Para evitar uma repetição dos tumultos de há quatro anos, os dois principais candidatos à presidência, Jonathan e Buhari apelaram à calma e assinaram um acordo de paz no decorrer das eleições. Mas para Bakili Muluzi, um observador da Commonwealth no país, a instabilidade pode surgir a qualquer momento: "O perigo é pós-eletoral", avisa.
A ameaça do Boko Haram
À instabilidade política junta-se a ameaça do extremismo islâmico. Militantes do Boko Haram atacaram cidades no norte da Nigéria. Gombe e Yobe, cidades a norte da Nigéria, foram os maiores alvos dos terroristas islâmicos, tendo assassinado 40 pessoas, incluindo um candidato parlamentar da oposição.
O grupo Boko Haram ganhou posições importantes no país e tenta desde 2014 o estabelecimento de um califado na Nigéria e países vizinhos, nomeadamente nos Camarões, Chade e Níger.
A insurgência do Boko Haram foi aliás um dos temas centrais da campanha, com especialistas a nível interno e externo a apontarem o dedo a Goodluck Jonathan pela ausência de uma resposta concreta ao flagelo que matou mais de 10 mil nigerianos, só em 2014.
Abubakar Shekau, o líder do grupo, deixou claras ameaças a todos os que se deslocassem às urnas em zonas sob influência dos jihadistas. Nos últimos meses, um esforço conjunto de vários países obrigou ao recuo das forças radicais em algumas cidades, mas os ataques sobre civis não deixaram de ser frequentes.
À Associated Press chegam relatos de civis que fugiram da cidade de Bauchi, onde os rebeldes terão atacado estações voto e destruído materiais eleitorais.