Violência marca visita dos observadores árabes à Síria

Ativistas acusam as forças de segurança de matar pelo menos 29 pessoas em toda a Síria, esta quinta-feira. As mortes ocorreram sobretudo em cidades visitadas pela equipa de observadores da Liga Árabe, incluindo a capital, Damasco, onde a população iniciou ações de desobediência civil.

RTP /
As manifestações em várias cidades sírias procuram chamar a atenção dos observadores árabes AP, AP

O Observatório sírio para os Direitos Humanos diz que em Douma, um subúrbio de Damasco, foram abatidas quatro pessoas, à porta de uma mesquita.

Os monitores árabes estavam a chegar à câmara municipal, quando as forças de segurança abriram fogo sobre dezenas de milhares de manifestantes, afirmou o grupo, baseado no Reino Unido.

Segundo Rami Abdel-Rahman, líder do Observatório, “os ativistas apelaram à desobediência civil. As estradas foram bloqueadas, as lojas estão fechadas e a cidade está paralisada”.

Milhares de pessoas terão invadido a praça principal para um protesto sentado.

Protestos em todo a Síria
Houve vítimas também em dois outros subúrbios de Damasco, Aarbin e Kiswah.

No resto do país, as forças de segurança dispararam sobre manifestantes em várias cidades. Fizeram seis mortos em Hama, e em Idlib houve igualmente manifestantes alvejados.

Após iniciar a sua visita à Síria na cidade-bastião da revolta, Homs, os observadores árabes seguiram para Idlib, no norte, para Deraa, no sul e para Damasco.

Os ativistas apelaram a manifestações massivas para sexta-feira.

Líder dos observadores árabes, contestado
A revolta contra o regime do Presidente Bashar al-Assad dura desde Março e já fez 5 mil mortos, segundo a ONU. O regime sírio contabiliza ainda mais de duas mil baixas entre as forças de segurança.

A Liga Árabe exige ao regime que acabe com a repressão armada das manifestações e a delegação de observadores tem por missão verificar a aplicação dessa medida.

Mas a liderança do chefe da equipa, o general sudanês Mustafa al-Dabi, tem estado a ser contestada. Segundo a Amnistia Internacional, ele será responsável por práticas de “tortura” e por “desaparecimentos” no Sudão, nos anos 90 do séc. XX.

Al-Dabi é igualmente considerado próximo do Presidente sudanês, Omar al-Bashir.

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