Violência no Haiti já deslocou cerca de 1,5 milhões de pessoas
A crescente violência no Haiti já provocou cerca de 1,5 milhões de deslocados internos, quase 80% dos quais fora da capital, alertou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
A organização destacou alterações nas tendências das deslocações, nomeadamente uma crescente concentração de pessoas em determinadas comunidades que já enfrentavam dificuldades para satisfazer as necessidades das próprias populações.
"O que estamos a assistir no Haiti não é uma crise que transite da fase de emergência para a de recuperação", afirmou a coordenadora principal de emergências da OIM no país, Elise Verron.
"A violência, as deslocações, a insegurança alimentar, os retornos forçados e os riscos climáticos estão a ocorrer em simultâneo, o que exerce uma enorme pressão sobre as famílias e as comunidades", acrescentou Verron.
No departamento de Artibonite, no noroeste do país, o número de deslocados aumentou 16% apenas entre maio e agosto deste ano.
Segundo a OIM, algumas zonas daquela região enfrentam "uma insegurança cada vez maior", provocando novas vagas de deslocação e reduzindo as opções consideradas seguras para as populações afetadas.
Em Kenscoff, perto da capital, Porto Príncipe, ataques armados obrigaram mais de 4.000 pessoas a abandonar as suas casas.
A maioria procurou abrigo junto de famílias de acolhimento ou em seis centros situados em zonas próximas da capital haitiana.
A OIM alertou igualmente para a conjugação da violência com as difíceis condições de vida, as reduzidas oportunidades de subsistência e o acesso insuficiente a serviços básicos.
A estes fatores junta-se a elevada exposição do Haiti a furacões, tempestades tropicais, inundações e deslizamentos de terra, que poderá aumentar ainda mais a vulnerabilidade das populações deslocadas.
Centenas de milhares de pessoas encontram-se atualmente em comunidades de acolhimento, bairros informais, centros coletivos ou outras condições consideradas "precárias" pela organização.
"Para as famílias que já foram deslocadas pela violência, uma grande tempestade poderia desencadear outra emergência humanitária", avisou Verron.
Perante a situação, a OIM solicitou 60 milhões de dólares (mais de 50 milhões de euros) para prestar assistência a 6,4 milhões de pessoas.
A organização defendeu também um "investimento sustentado" que permita prestar assistência vital, apoiar a recuperação, reforçar os sistemas locais e aumentar a capacidade das comunidades para enfrentarem os efeitos da insegurança, das deslocações e das crises relacionadas com o clima.