Violência policial contra deficiente negro sem abrigo em São Francisco

O episódio foi filmado por uma transeunte, que partilhou a história no website Matter. Um homem negro, sem uma perna, foi derrubado por cinco polícias e mantido no chão por mais de 30 minutos.

RTP /
DR

“Gravei o incidente no dia 4 de agosto de 2015, durante a hora de almoço. Trata-se de um homem negro que foi derrubado pela polícia na área do Mid-Market de São Francisco. Uma figura negra, vestida de preto, foi sendo encurralada por uma parede azul”, lê-se no Matter.

Chaédria LaBouvier não assistiu ao início do momento, mas ao ver a confusão ali gerada decidiu filmar.

Segundo a autora do vídeo, os polícias deitaram o sem-abrigo ao chão por causa de umas varas que ele tinha consigo. Varas essas que, supostamente, eram a sua ajuda para caminhar.

A versão do filme publicada no YouTube tem 11 minutos, mas Chaédria explicou no texto que o incidente durou cerca de meia hora.

“A determinado momento, há pelo menos 14 polícias a imobilizarem este homem com apenas uma perna. A maioria deles está, principalmente, a tentar bloquear a visão do público”, contou.
“Isso dói”
No início, os polícias bateram na perna e na prótese do homem, tentando mantê-lo no chão. Aos dez segundos, um dos agentes tentou controlar também a cabeça dele.

Após algumas tentativas por parte do sem-abrigo para se libertar dos cinco polícias, outros agentes começaram a rodear o local. Tentaram impedir as filmagens, colocando-se à frente das câmaras.

No minuto quatro, o cordão de polícias começou a aumentar. O homem com as calças descaídas, entretanto, queixou-se: “Tenho uma ferida, uma infeção, na minha perna. Isso dói”.

A autora do vídeo decidiu usar o episódio para denunciar as autoridades da cidade.

“Este é um assédio diário. Nós passámos a achar normal o tipo de policiamento em São Francisco e no resto da América, que maltrata as pessoas mais vulneráveis, que lhes tira a dignidade humana”, escreveu.

LaBouvier criticou, ainda, a indiferença que as empresas tecnológicas localizadas naquela avenida, como o Twitter, mostram perante estas situações.

No final do artigo, a mulher que assistiu ao momento apelou à denúncia por parte dos cidadãos.
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